Blog Minha Vida Sem Photoshop

A vida é curta demais para arrependimentos
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Gisela Rao

Semana passada, eu respondi à convocação da Cruz Vermelha para ir ao Centro distribuir cobertores e alimentos às pessoas em situação de rua. Eu quase amarelei porque eu fico hospedada em São Paulo num bairro longe pra diabos do Centro. Mas eu fui porque sabia que me arrependeria se não fosse, como me arrependi de um abraço que não dei no Marrocos, na viagem humanitária com o Patch Adams. Nós estávamos em frente a um hospital, em Casablanca, onde levaríamos alegria para as crianças. Mas, antes de entrar, vimos uma moça de uns 30 anos chorando muito por causa da morte da mãe. Eu queria muito, mas muito mesmo ir lá abraçá-la e chorar junto com ela porque conheço bem essa dor. Mas, eu me segurei porque um dia ouvi que os palhaços não podem chorar junto com as pessoas. Depois me disseram que não é bem assim. Quase sempre me lembro desse abraço que não dei e prometi que  não vou mais dar essas amareladas porque a vida é curta demais pra arrependimentos.

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Sexta-feira, colocando a mão na massa – no Centro – junto com a Cruz Vermelha, descobri uma coisa muito importante: todo o medo desaparece quando nos tornamos um com as pessoas que nos apavoram. Em certo momento, à noite, fui cercada por uns 15 meninos moradores de rua – desses que a gente nem chega perto com medo de assalto. Eles apenas queriam os alimentos que estávamos distribuindo. Naquele momento, éramos um só, os mesmos, iguais em tudo, e foi uma das experiências de maior amor e mais ricas da minha vida. Se eu tivesse ficado no conforto tolo de casa, assistindo “Velho Chico'', ou sei lá o que, não teria recebido a benção da velhinha que ganhou dois cobertores, nem teria acompanhado a menininha – junto com a Camila Cardoso – até o bar pra pegar água quente para a sopa da sua mãe, nem teria conhecido a generosidade do português do boteco, e nem teria perdido meus preconceitos e meus medos pelo caminho, e muito menos teria sentido o carinho do nóia pegando alimento pra levar até a mina dele, e nem teria dado um perto na mão calejada do senhorzinho negro, nem teria conversado com o refugiado de Guiné, e nem teria sentido a tristeza de ver como as crianças da rua já se parecem com adultos no olhar e no sofrimento.

By Harry Borges

By Harry Borges

Foi uma noite doída, mas é uma dor que cura. Ela cura as marcas de dedos deixadas na cara da nossa alma pelos tapas do nosso individualismo.

Até breve!

“Repare que por todos os lados existem plaquinhas de apelo ao abraço grátis. Mas falta anúncio no poste de “trago o abraço perdido em 3 dias ou seu dinheiro de volta''. Escambo todos que já abracei por aquele que deveria ter enlaçado. Eu não sei onde foi parar o acolhimento que eu não pude dar. Talvez no fundo da gaveta dos apegos nunca dados. Onde guardamos a piada sem a graça, o sorriso não correspondido, e o silêncio de cada “eu te amo''. Será mesmo que gastei toda minha cota de abraçamento e não me dei conta? Só sei que meu saldo de abraço agora é negativo. Estou com doença de membros molengas por falta de fusão e aderência. Fico na espera do alinhamento do coração que bate junto com outro e toca a batida em resposta. Tão arrochado ao ponto de ficar com a coloração roxa por falta de ar. Sigo fazendo desuso das mãos vazias e desconcertantes. Situação que se a gente fosse pão se esmigalhava todinho. E dando um adeus sem graça e mais nada além do abraço que não dei''.

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Texto: Ramone Loyola

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Chegue mais perto da  blogueira: giselarao@uol.com.br


“Temos que enterrar nossos mortos”
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Gisela Rao

Que solidão tremenda é essa que chega chegando e nos joga na água gelada quando perdemos alguém que importa?

Quando minha mãe se foi, tive a sensação de estar à deriva em um barquinho sem vela e num mar sem farol e estrelas. Quando meu pai se foi, nesse fim de semana, tive a sensação de que nem o barco eu tinha dessa vez. É uma solidão nossa e de mais ninguém, e não adianta o amor dos amigos, do marido, dos animais, do urso de pelúcia encardido que eu agarrava quando via filme de terror na infância.

Minha grande dor não foi a perda, foi ver o sofrimento de um velhinho que nunca se cuidou e que a vida veio cobrar tudo de uma vez no final. Foi ver a o desamparo da minha irmã mais velha, a cabeça baixa do meu sobrinho no enterro, o choro sincero da minha prima, a voz aveludada da minha irmã H. quando tentava tranquilizá-lo nos momentos finais, a dor do outro neto – tão impotente – do outro lado, no Canadá.

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Nesses dias finais me reaproximei mais fisicamente dele, um oásis no deserto de uma relação cheia de tempestades de areia. Ousei ficar segurando a mão que nunca tive na infância, nem nunca em tempo algum, nem muito menos no meu casamento com B.L. – que ele disse que não iria porque sabia que não ia durar. Tive um segundo de medo pensando que ele pudesse rejeitar esse contato. Insegurança da criança que acha que veio ao mundo para incomodar.

Agarrada à mão dele quase no fim, me despedi com  lágrimas mudas. Como a vida não deixa barato, estava tocando no celular da minha irmã a música “Cold Water'' – de Damien Rice. Coincidentemente foi a música que sempre ouvi após as perdas do que chamamos de grandes amores.

“Fria, fria água que me rodeia agora

E tudo o que tenho é sua mão

Senhor, você pode me ouvir agora?

Senhor, você pode me ouvir agora?

Senhor, você pode me ouvir agora?

Ou eu estou perdido?''

Nesse momento – e mesmo ele sendo ateu – rezei para Deus pegar na sua mão e acompanhá-lo, junto com minha mãe Clarice. E depois fugi, como sempre fujo. Como fugi do último suspiro da avó, como fugi do último suspiro da mãe. Mas esses últimos suspiros sempre me alcançam e arrancam um choro quente como a lava de um vulcão, que desmancha de uma só vez o nó de fogo entalado na minha garganta.

Cheguei cedo no velório com meu marido, chegamos antes de todos. Não convidamos ninguém de fora porque esse cansaço era nosso e de mais ninguém. Meu tio chegou às 4 am, contando coisas da personalidade forte dele, dos carros chiques que amava. É legal quando alguém fala da pessoa no passado, contando coisas de um pai que nem sei se conheci direito.

Chamei o Uber às 5 am. Medo de olhar em um rosto tão familiar ao meu quando me vejo no espelho. Minha irmã mais velha perguntou se eu iria no enterro – “não sei'' – respondi. Ela disse: “Temos que enterrar nosso mortos''. Fui embora sem virar pra trás, sem o ver pela última vez, cambaleando de sono e de pedaços de emoções que não davam nem uma colcha de retalhos. No dia seguinte fui ao enterro. O corpo descendo ao lado da minha mãezinha. Nada foi dito. Senti falta de um padre, um rabino, um xamã que cortasse com a pá das palavras aquele silêncio tão doído. Mas minha ex-cunhada gritou agradecendo os queijos suiços que ele comprava, os bons momentos na casa de Campos do Jordão, as coisas engraçadas que ele falava…

E foi assim que ao pó ele voltou e que senti inveja do luto judaico, onde a família fica toda junta. Vi meu irmão, irmãs e sobrinhos indo embora em dois carros. E eu fui ficando para trás e para trás e para trás, em uma manhã de sol, túmulos e tanta grama e dor esparramadas.

E é aqui que encerro minhas palavras, junto à frase roubada da cova de alguém que um dia se chamou Ernesta:

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Até semana que vem.

giselarao@uol.com.br


Felicidade não é recompensa
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Gisela Rao

Fui visitar meu pai sábado e ele não está nada bem. Ele mesmo me disse que sente que chegou a hora. Uma das coisas incríveis da sua personalidade é o senso de humor – em qualquer momento –  porque eu perguntei se o passaporte para o além já tinha chegado e ele respondeu: “Não, mas vou pagar propina''. 

Durante um  pedaço enorme da minha vida, sofri com a nossa estranha relação, porque eu queria ser mais amada, mais valorizada, mais abraçada. Mas, principalmente, eu sofri porque achava que a felicidade seria uma recompensa se eu conseguisse atrair a sua atenção. Então, eu me inscrevia em concursos, escrevia livros para dar entrevistas, trazia presentes quando eu viajava etc etc etc. E isso nunca acontecia… 

Eu não sei falar “eu te amo'' para o meu pai, também tenho dificuldade de segurar na sua mão, talvez por ele nunca ter segurado na minha, então resolvi fazer algo diferente na visita de amanhã, como o ritual de um ciclo que se encerra. Escrevi 51 motivos pelos quais valeram a pena ele ter sido meu pai nesses anos todos (51!).

http://cultura.chiadonews.com/2015/11/fotografias-que-retratam-o-amor-e.html

Sinceramente achei que seria difícil, mas os motivos foram saindo um por um e com uma incrível rapidez. Na verdade, fui percebendo que não eram razões, eram momentos em que fui extremamente feliz, como o dia em que ganhei um mini-laboratório de cientista na infância, ou as músicas maravilhosas que ele me apresentou na adolescência ou a visita à terra do meu avô na Itália. 

Então, concordo com Patch Adams quando diz que a felicidade é um estado de celebração da vida, é uma plataforma que nos lança para o melhor que podemos alcançar nesse mundo que gira lentamente.

Pensar que a felicidade é uma recompensa é uma armadilha sórdida do capitalismo que nos faz acreditar piamente que se comprarmos tal treco encontraremos o pote de ouro no fim do arco-íris no . O mais louco é que já estamos cansados de saber que isso não é verdade, tanto é que queremos sempre mais e mai e mais e mais. Por uma vida com menos trecos e mais celebração.

Até mais! Um beijo

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Algumas pessoas queridas que contribuíram para que minha viagem humanitária para o Marrocos acontecesse : )

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Silvia Pedrosa. Neiva Bohnenberger. Fernanda Coimbra. Flavia Cristina da Silva. Vânia Moreira Lopes. Maria do Carmo Coan Bet. Mônica Schutzer. Pamela Alexandre. Mauricio Celebrone. Letícia Ippolito. Deise Farias Costa. Neila Mara Lopes. Allan Korosue. Nice Lopes. Cristina Ramalho. Jessica Amorim. Cyro José Leão. Maria Signorelli. Rose Ferraz. Vivian Muniz. Renata Oliveira de Jesus. Andréa Aparecida Soares. Tania Maria Araujo Vieira. Natália Saraceni. Priscila Cestari. Patricia Quintas. Erik Naoki Nakandakare. Paulo Vieira. Andreia Soares. Tania Rampi. Maria Aparecida Silva. Will Ferrari Jr. Guilherme Garcia Fracaro. Angela Satomi Inoue. Roberta Ponciano. Ana Luiza Couto. João Guena. Kiciana F F Mayo. Nayda Cabral. Nivia Panariello. Andrea Lima Barbosa. Rafael Vazquez. Mirna Costa. Roberta Vaiano. Renato Gonçalves. Stella Florence. Luiz Macedo. Luciléia Andrade de Souza. Aline Finato Bertoleti. Janaína Guidelli Guerreiro. Suzana Sanae Yogi. Licien Camargo. Marisa Cunha. Melissa Sibucks. Nelia Nascimento. Monica Hikaru. Mayara de Castro. Mila Giannini. Frederico da Costa Carvalho Neto. Cialva Vieira. Silvana Garcia Dias. Fernanda Giglio. Karla Nardi. Adriana da Silva Fernandes. Silvana Razeira. Vera Lúcia Oreb. Daniele Monte. Fabiana Marçula. Neiva Luci Bohnenberger. Carla Souza. Juliana D'Alcantara. Zaira Rodrigues. Rodolfo Mattiuzzo. Silvana Maria Costa. Eliana Batista Ramos Colussi. Janaina Ribeiro. Tatiana Bernardon Silva. Aline Moreto. Marcella Lobo

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QUINTO LIVRO DA GISELA RAO

Na Livraria Cultura: http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br

 

O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias 


Sobre coisas que nos deixam felizes
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Gisela Rao

Patch Adams tem um exercício que pode definir, em segundos, como está a sua vida. Ele pede para fazer uma lista com as coisas que nos fazem felizes e outra lista com o que costumamos fazer diariamente. Depois vem a hora da verdade que é compararmos uma com a outra. Depois que você se recuperar do susto, é só ajustar hehe.

Confesso que não tive tempo nem de fazer a lista de felicidade, quanto mais de cruzar as duas. Quando fiquei sem trabalho esses meses, me cansei mais do que quando estava trabalhando. Me cansei atirando pra todo lado e gastando energia com os medos de quem se esquece que a roda da fortuna gira para um lado e para o outro. Agora, as coisas estão voltando ao normal e nem sei dizer qual das simpatias deu certo hehe.

De qualquer forma, é hora de voltar a ter calmaria, de pensar nas coisas que me fazem feliz e comparar as tais das listas.

www.huffingtonpost.com
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Mas já dá pra adiantar umas coisas que rolam nas duas: estar com gente legal, brincar com animais, ser palhaça, ter ideias criativas, dar muita risada, fazer rir, viajar,  ver filme no Netflix, me divertir com os memes do Facebook, dormir de edredon, ir no cinema com B.L. e comprar pipoca-donce-junkera, acordar e ver natureza (mesmo que uma pracinha), chafurdar a boca numa manga… Eu adoraria escrever coisas profundas, complexas, mas o que mais me faz feliz mesmo é o basicão, lances que posso adaptar no meu dia a dia tao facilmente quanto cortar um bolo Pullman com a faquinha de plástico ou tirar uma foto da Sunshine no sol.

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Talvez, mesmo com os perrengues da vida, eu não tenha que adaptar minha lista de coisas que me fazem feliz no dia a dia e sim o dia a dia na minha lista de coisas que me fazem feliz porque já faz um bom tempo, desde o começo do blog, que saquei que felicidade é como uma espécie de entidade que você não precisa se esforçar muito e nem chamar o moleque do Sexto Sentido para ver.

Bom, é isso aí que eu queria dizer.

Até terça. Um beijo

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Os sonhos não têm fronteiras
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Gisela Rao

Demorei  muito para voltar a escrever o blog porque a gente retorna virada do avesso desse tipo de viagem humanitária. Mas antes de falar dela, vou falar de sonhos. Há uns meses eu escrevi que estava sem trabalho, justamente na época em que decidi viajar novamente com o Patch Adams, dessa vez para o Marrocos.

By Martina Tenda

By Martina Tenda

Acontece que não sou de desistir fácil e resolvi entrar em um financiamento coletivo. Graças à incrível generosidade de muitas pessoas (que serão agradecidas oficialmente no próximo post), consegui levantar 70% da verba, e isso ajudou tremendamente (já que o avião a gente paga em 10 vezes). Então, essa é mais uma prova de que os sonhos não devem ter fronteiras e de que, sim, tudo é possível quando se quer uma coisa com toda a nossa verdade. Viagem humanitária não começa quando se chega ao local, começa antes- a cada dia, a cada hora. Começa quando você consola o senhor no avião que chora porque a netinha está doente, ou quando você faz todos os funcionários de uma doceira em Marrakesh dançarem ao som da música “Happy'' (Pharrel Williams) e depois ganha essa flor linda. Porque gente é mesmo para ser feliz.

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Rever o Patch Adams e conhecer palhaços de 17 países é uma coisa de outro mundo. Poder expressar o amor incondicional e receber esse sentimento de volta por 10 dias seguidos, sem computador, sem celular, sem televisão, é a benção das bençãos. E também é um doutorado em autoconhecimento, onde mais uma vez vi pipocar da alma um monte de coisas loucas como, por exemplo, minha infância mal resolvida. E percebi isso quando, na hora de ir embora, comecei a chorar como criança ao me despedir desse cachorrinho de pelúcia tão querido aí abaixo; ou quando tomei uma dura de alguns palhaços porque o meu boneco (Ronaldinho) batia no dos outros ahahahaha.

By Martina Tenda

By Martina Tenda

Sim, as dores doem. E o amor e a alegria curam as dores. Não tem tristeza, nem doença, nem sofrimento, nem a morte espiando na esquina quando os palhaços chegam. Sofrimento e alegria são corpos que não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo e é por isso que entendo o Patch Adams quando ele diz que faz mais bem ao mundo sendo palhaço do que médico.

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By Gordon Fudge

By Gordon Fudge

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By Jason Fudge

By Gordon Fudge

By Jason Fudge

By Gordon Fudge

Agradeço ao Marrocos por toda sua beleza, seu povo simpático (Imane e Monsieur Mohamed!!!) e suas artes tão difíceis de escolher pra levar pra casa.

E agradeço à Chilli Peppers por ter sido minha querida companheira de quarto e de bagunça, a pessoa mais amorosa que conheci na vida, que tentou me ensinar a não ser consumista e que disse que meu futuro será doce – já que ela mora na Austrália e está 12 horas à frente do Brasil.

E aos leitores do blog pela paciência de esperar tanto por um novo post.

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E aos palhaços do mundo e a todos os grandes corações que ajudaram nessa e em outras viagens – em especial Fabio Cimino, Esther Schattan (da Ornare) e Margit Junginger – todo o meu amor sem prazo de validade <3

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http://www.elsever.org/cursos.php?cursoid=36


O dia em que Deus errou feio
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Gisela Rao

Essa foto é do Sebastião Salgado. Achei que seria legal ter uma imagem linda dessas nesse post sobre a velhice.

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Acompanhei meu pai algumas noites no hospital, onde também conheci outro velhinhos. Todos sofrendo pra caramba. Sinceramente? Acho que Deus errou feio obrigando as pessoas, principalmente os idosos, a sofreram tanto na reta final.

A coisa podia ser muito mais simples, como no filme Blade Runner. Os Replicantes, robôs quase humanos, também têm um dia exato para morrer e simplesmente isso acontece de uma hora para a outra, sem dor. A angústia aqui, nesse caso, é saber quando o “barqueiro'' passará navegando entre as margens da vida e da morte.

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O sofrimento dos velhinhos pega feio na alma, porque ninguém gosta de ver alguém sofrendo e também porque nos estapeia a cara lembrando que essa passagem da vida também nos espera. Aí dá uma espécie de mistureba de saco cheio com compaixão e medo. Saco cheio porque exige muitas coisas do acompanhante, compaixão porque é triste de se ver e medo porque o tempus fugitis.

Mas vendo meu pai nessa fragilidade toda, eu o enxergo com mais ternura, com mais humanidade porque nossa relação nunca foi boa. Sempre tive horror do seu autoritarismo e perfil depreciador. Mas, assim, esbudegado fisicamente, é como se ele descesse ao reino dos mortais, dos vulneráveis. E aí veio uma revelação: cheguei chorando ontem no consultório da Neiva. Então, descobri que o homem que eu pensava que não amava é o homem que mais amo :'-) 

Até lá! Um beijo

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Você sabia que, segundo a Universidade de Harvard (EUA), doar deixa a gente mais feliz do que receber?  Faltam 2 dias para acabar o meu financiamento coletivo e sua contribuição é mega uber importante :  ) Agradeço desde já!

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http://www.kickante.com.br/campanhas/viagem-humanitaria-com-opatch-adams-no-marrocos


“A esperança morre 5 minutos após o homem”
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Gisela Rao

“A esperança morre 5 minutos após o homem''. Essa frase é do advogado Sobral Pinto, ferrenho defensor dos direitos humanos. Na semana passada, eu estava preocupada com o futuro, mas  – como sempre – as placas tectônicas vão se encaixando e as perspectivas vão se abrindo e se movimentando. Novos trabalhos estão aparecendo e outros, estou inventando.

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Faltam 6 dias para acabar o financiamento coletivo da minha viagem de ação humanitária com o Patch Adams. Chegamos na metade do valor, mas eu só desistirei dessa viagem quando estiver nos 47 do segundo tempo, porque a causa é nobre. Estar com o Patch Adams é aprender sobre o amor verdadeiro, é se cobrir de compaixão, é olhar nos olhos de cada criança e de cada idoso e ver e ouvir suas incríveis histórias – mesmo que em outra língua. Essa viagem é a coisa que mais me faz feliz no mundo e vou batalhar o máximo que puder para que dê certo. 

Todo mundo tem o direito de realizar seus sonhos. Todo mundo tem o direito de pular por cima dos medos, dos outros que gritam “É difícil!''. Não, a vida não foi inventada só para dormir, comer, trabalhar, transar. A vida é cheia pessoas e coisas incríveis, como a casa grafitada onde me hospedei no centro de São Paulo. Lá, é como um portal escondido dentro de um armário vintage que te leva ao Fabuloso Mundo de Juju e Bamba. Ele, ator e palhaço, faz nossa criança interior descer as escadas escorregando pelo corrimão. Ela, artista e cineasta, dá banho nas bonecas que foram usadas em seu último filme de terror. Amiga do peito de Zé do Caixão, é também mãezinha por um dia: cuida dos hóspedes com o mesmo amor e carinho da nossa mãe, na época em que a gente pedia um doce ou pra comprar qualquer coisinha. (contato Juju: Surto.cia@gmail com)

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Não dê as costas pros seus sonhos. “Gente é pra ser feliz''.

Te vejo na terça! Beijos

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Você sabia que, segundo a Universidade de Harvard (EUA), doar deixa a gente mais feliz do que receber?  Faltam 6 dias para acabar o meu financiamento coletivo e sua contribuição é mega uber importante :  ) Agradeço desde já!

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Entressafra profissional: como não se sentir um artigo de R$1,99
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Gisela Rao

Uma vez li sobre um ex-diretor da Microsoft que largou o super emprego para levar livros para as crianças no Nepal. Ele disse que acordou um dia e não era mais o Fulano da Microsoft, e que nas festas as pessoas se aproximavam dele pelo status antigo, e quando descobriam que ele não tinha mais cartão de visitas, se afastavam.

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Estar na entressafra profissional é muito parecido com se divorciar depois de anos de um casamento intenso. Você não tem mais muita certeza de quem é, já que grande parte do que chamamos de identidade estava grudada a de uma empresa que, no momento, não está mais.

Aí você tem uma opção: começa a se depreciar se achando “o'' bonequinho de loja de R$ 1,99. Você vai achar que não é tão bom assim, que não está mais tão jovem assim, que não tem um networking tão afiado assim , que o seu blog não faz tanto sucesso assim… Ou seja, vai cavando a cova da baixa-autoestima, dos pensamentos negativos e pior: do conformismo.

Mas você também tem outra opção: sacudir o pó da sua zona de conforto, lembrar do tiozinho indiano da Físico-Quântica que diz que a vida tem “n'' possibilidades, que cada experiência que você teve no passado foi montando você como o desenho do Homem de Pedra, que gentes-novas-dinheiros-novos-vivências-novas virão, que você tem a extraordinária chance de se reinventar. E você começará a ver estrelas cadentes, rolha de champanhe que cai na sua cabeça, tartaruga no jardim do prédio do amigo, corujas que começam a te vistar no interior, rostos de gente sorrindo em nuvens…

E, não, você não bebeu muita champanhe na boca livre do aniversário do seu amigo, é o Universo rebolando na dança da sua nova energia intensa e contagiante. Acredite!

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“Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar'' – Cazuza
Te vejo terça que vem. Beijos

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Você sabia que, segundo a Universidade de Harvard (EUA), doar deixa a gente mais feliz do que receber?  Faltam 13 dias para acabar o meu financiamento coletivo e sua contribuição é mega uber importante :) Agradeço desde já!

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Mirem-se naquelas mulheres do Congo
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Gisela Rao

Cheguei no Congo há exatamente 1 ano. Eu comecei a ver pela rua centenas de mulheres com roupas lindas, coloridas, maquiadas. Um andar firme, autoconfiante. Perguntei o que era e me disseram: “Jour de la femme!'' (Dia das Mulheres!). Nossa! É mesmo. Me misturei a elas num abraço gigantesco, de coração escancarado, como se eu conhecesse todas desde que a África se desgrudou do Brasil. Eu havia aprendido umas palavras em lingala antes de ir, uma das línguas nativas, e sabia falar a coisa mais importante do mundo “Na lingi yo!'' (Eu amo vocês!).

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Entendi o que era mesmo ser mulher convivendo quase dois meses com as congolesas. Completamente opostas às mulheres de Atenas, as congolesas são de uma vaidade que dá gosto ver. No calor de 40 graus, carregam seus filhos, plantam mandioca, vendem carvão, andam
amontoadas na condução sem ar condicionado e estão sempre lindas. Dão gargalhadas incríveis, cantam, dançam, são inteligentes, têm personalidade e um amor próprio que é humano e divino ao mesmo tempo. Rainhas da essência.

By Fabio Correa

By Fabio Correa

Estão sempre coloridas, bem vestidas, firmes, fortes, escolhem o penteado do dia e amam o seu país verdadeiramente, independente do governo que, acredite, não merece o povo amável que tem. Elas amam cada árvore, o riozão que desce serpenteando a calda, amam a floresta,
a chuva,o sol forte (moí macassi). Mirei-me no exemplo das mulheres do Congo. Aprendi a jamais, em tempo algum, subestimá-las. Grandes guerreiras do Congo, hoje minha homenagem é para vocês!

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Um beijo. Até terça!

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Participe da nossa campanha de arrecadação para comprar vales-transportes para os refugiados poderem ir às entrevistas de emprego e aulas de português. Apoie a causa : )

http://www.estourefugiado.com.br/passeprafrente

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A REBRA, Rede de Escritoras Brasileiras, faz 17 anos!

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Vida longa a sua fundadora Joyce Cavalccante e a esse belo projeto :  )


A verdade liberta. Ouviu?
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Gisela Rao

Não entendi bem quem era o professor Rubens Queiroz que meu amigo Demetrio me indicou. Mas mesmo assim fui lá, no pé da cantareira (SP). Um homem alto, bonito, mistura de Sean Connery com Charlton Heston, de uns 80 anos, abriu a porta. Da entrada até o sofá da salinha, já deu pra perceber uma coisa que eu nem me lembrava mais: a necessidade que tenho de ser aceita e, portanto, o meu pavor de rejeição. Em poucos segundo, o professor me descascou hehe.

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Achei que era uma coisa que tinha ficado pra trás, na terapia, onde pensei ter enterrado muitos dos mortos-vivos que me assombravam desde a infância. Durante essas duas horas em que ficamos juntos, apareceu tanta coisa. Apareceu a necessidade de ser sempre o clown, o bobo da corte (e não falo pejorativamente), porque, afinal, quem não gosta de gente que sabe fazer rir? Mas esse personagem o dia inteiro cansa, né? Também apareceu a minha mania de elogiar as pessoas. Achei que fosse um naco de DNA herdado da mãe, mas é uma forma automática de também ser aceita (diga-se de passagem muito prazerosa). Então, talvez eu não me curta tanto quanto eu imaginava, já que preciso mais da aceitação dos outros do que da minha 😐 Talvez por isso também eu goste tanto dos animais, porque é amor-sim/rejeição-não, garantida ;  ) Mas o mais curioso foi ver a quantidades  de “Nãos'' que eu falo. Escrevendo esse post, por exemplo, já paguei vários. Nunca tinha percebido. É uma forma de sempre se defender, né? E muito provavelmente de expressar o medo do novo. Já que o “não'' é primo do mesmismo. E o “sim'' é irmão dos novos horizontes nunca antes desbravados.

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Falar demais na negativa acaba sendo uma postura agressiva diante da vida. É uma energia que nunca passa pela gente, pelo que a gente sente. Um exemplo: o professor perguntou se eu queria entrar na piscina. Estava frio. Era proibido ter a palavra “não'' na resposta. E eu respondi: “Nem por um cacete!''. Então, ele me disse que eu poderia simplesmente responder: “Estou bem aqui, professor''. Pois é…

Ele riu quando eu disse que era overspening, viciada em comprar ou gastar $, sei lá. Ele riu porque ficou claro (ainda mais para quem trabalha com os padrões que a gente enfia na nossa cachola) que isso também é fruto de tudo isso que falei acima. É muito possível que eu compre presentes, que eu doe $, que eu compre coisas desnecessárias também como uma forma de ser aceita. Mesmo inconscientemente posso comprar um objeto – que eu nem faça tanta questão – para deletar a possibilidade de me achar rejeitada pelo objeto, ou pela loja ou pela vendedora. Louco, né?Eu realmente entendi melhor meu pai ontem e a volúpia por gastar. Acho que o fato da minha mãe ter um sobrenome chique incomodava meu pai. Sendo assim, ele sempre se projetou como alguém que ganhava mais do que ganhava e comprava mais do que podia. Faz sentido, não? Também queria ser aceito por ela e pela sociedade onde ela transitava.

Embora o professor Rubens seja um homem enérgico e embora eu tenha tido vontade de jogá-lo na piscina várias vezes por falar as verdades, é uma das pessoas mais amorosas que conheci. No topo dos seus 80 anos faz ainda questão de dividir seu conhecimento, sobre programação pessoal, e seu amor pra gente fazer um lindo embrulho e levar de presente pra casa. Saí de lá com uma vontade incrível de falar mais “sim'' e de cuidar mais de mim.

Lembre-se: a verdade liberta! Ouviu?

goldfish jumping out of the water

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Gratidão Demetrio. Gratidão professor Rubens (11 – 99615-6112)

Volto na terça-feira :  )

Beijos

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“A malária é um problemão no Congo e era a primeira vez que eu via uma criança tão doente na minha frente. Ela estava deitada no colo da sua mãe na calçada. Seus olhos eram grandes, amarelados, cansados e diziam nitidamente “Eu sei que vou morrer, moça''. Perguntei para a mãe quanto era o remédio e fui comprar. Um homem que viu a cena me agradeceu em francês. Saí dali triste pra caramba mas também com a certeza de que quem cura não é o remédio, é o amor''.

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Queridos leitores, se vocês se emocionaram com essa frase do meu novo livro, por gentileza, colaborem para concretizá-lo :  ) Dá sim pra gente fazer um mundo mais feliz e inspirar mais gente a caminhar nessa jornada. É só clicar:  http://www.kickante.com.br/Livro-sobre-minhas-viagens-humanitarias