Blog Vigilantes da Autoestima

Dia 92 – E quando a gente perde as referências?
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Gisela Rao

Muita gente quer viver em outro país e, realmente, é uma das experiências mais intensas da vida, mas vou ser bem sincera: depois de um tempo fora de casa você percebe muita coisa. Parece que vivi 1 ano nesse 1 mês e pouco. A coisa mais estranha, na minha opinião, é perder as referências. Você não tem mais a amiga de longa data para almoçar no sabadão, não tem a padaria da esquina, nem aquela manga que você ama e comprava em qualquer quitanda, o abraço do marido no café da manhã, a felicidade da gata te esperando na porta de entrada, as pessoas na rua não falam a sua língua… e às vezes a gente realmente se sente uma estranha no ninho. E olha que aqui sou chamada de “la Reine de Bonjour'' (a Rainha do Bom Dia), porque tento ser simpática com todo mundo. Já falo algumas frases em lingalá e monokotuba e, claro, aprendi muitas em francês.

A verdade é que dá uma carência estranha, que faz remexer umas coisas dentro da gente, como por exemplo nossas perdas. Nesse período, tenho sonhado muito com a minha mãe, penso muito nela, ela faz falta. Percebo que quando perdemos a mãe ou o pai amados, depois de um tempo a dor não some, só fica aprisionada como um gênio na garrafa. Mas nesses momentos de fragilidade emocional, a rolha sai e a dor volta a fica entalada na garganta, lembrando a gente como é difícil o desapego. Depois, o dia nasce e conhecemos algo ou alguém novo, assistimos a uma missa com o coral congolês mais afinado do mundo, vamos a um restaurante diferente, compramos pequenos elefantinhos de madeira e tudo volta a caminhar “caminhando e cantando e seguindo a canção'' :  )

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“Mas não existe distância entre dois corações que se amam'' – como já dizia o Astronauta Roger – e a família dá uma força,  meu amor dá uma força, minha gata dá uma força (B.L. manda fotos semanais : ), minhas psicólogas-amigas dão uma força, minhas amigas-psicólogas dão uma força. E, no final das contas, você mesmo se dá uma força, afinal, quem tem autoestima perde as referências mas jamais se perde de si mesmo.

Não, nunca, jamais, em tempo algum desista de morar fora em algum momento da sua vida.

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Para o alto e avante!

“Crescer impõe dizer adeus. E essa é uma palavra difícil porque ficar é muito mais fácil.
Deixar para trás, envelhecer, tomar novos rumos, evoluir, morrer… tudo isso faz parte, mas nem por isso é menos doloroso.
Rindo ou chorando descobrimos que existe beleza na dor, na saudade, naquilo que vivemos e não existe mais, nas pessoas que se foram mas ainda vivem dentro de nós, nos lugares que visitamos, nas paredes que foram testemunhas de nossas lutas, dores, amores, dúvidas, mudanças, arrependimentos, amadurecimento…''


Fabíola Simões

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Rosinha – o livro do VAE, na Livraria Cultura: http://zip.net/bxqCL2

 

O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias

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COLUNAS DA GISELA RAO  NO ATMOSFERA FEMININA

> O lado bom da impulsividade http://zip.net/bwqVyV

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Dia 91 – A vida é curta demais para não se achar bonita
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Gisela Rao

Ontem à tarde, R.R. postou o novo vídeo da Dove no meu inbox, no Facebook. Respondi: “Oba! Vou ver''. Já faz algum tempo que sou fã da marca e dos seus vídeos-contra-a-maré ajudando a convencer a gente de que a beleza de cada um é o que interessa, o resto não tem pressa. Já chorei e compartilhei milhares de vezes esses vídeos-presentes pra autoestima.

A nova ideia é muito bacana e, nossa!, como me identifiquei. Colocaram duas placas e duas diferentes entradas em centros comercias de 5 países. Em uma delas estava escrito “Bonita'' e, na outra, “Normal''. Nem preciso dizer que a maioria das mulheres escolheu a segunda opção para entrar.

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Sim, é triste – eu sei – e justamente o que eles querem com isso é nos inspirar a reconsiderar as escolhas que fazemos sobre a nossa própria beleza. Você sabia que um assombroso percentual de 96% das mulheres não escolhe a palavra “bonita'' para se descrever pessoalmente? Eu já tinha percebido isso nos nossos encontros do VAE, quando sempre peço três elogios de cada participante. Parece que temos vergonha de falar da nossa beleza, vai que o outro não acha.

Mas, acredito que possa contribuir com essa campanha, revelando algo que descobri com o blog: todas as vezes em que me achei mais bonita na vida foram as vezes em que eu estava mais feliz: primeira matéria sobre o Vigilantes da AutoEstima; meu casamento com B.L.; a viagem para Rússia com Patch Adams; a foto para o meu livro; a primeira vez em que fui para a Itália; a palestra sobre autoestima no TEDx; a entrevista divertida no Jô; minha formatura como voluntária da Cruz Vermelha; a visita ao Congo; entre tantos outros momentos dignos de moldura na parede da memória. O que isso quer dizer? Que não é a beleza que traz felicidade, é a felicidade que nos deixa lindas :  )

Foto by Isto É
Foto by Isto É
Foto by Cláudia Perroni
Foto by Cláudia Perroni
Foto by Katia Milanesi
Foto by Katia Milanesi
Foto by Bob Wolfenson
Foto by Bob Wolfenson
Foto by Beto Lima
Foto by Beto Lima
Foto by Marina Azevedo
Foto by Marina Azevedo
Foto by Rede Globo
Foto by Rede Globo
Foto by André
Foto by André
Foto by Anderson
Foto by Anderson

Convido vocês a assistirem a esse belo vídeo e, finalmente, a escolherem a porta da beleza, a escolher @Dove #SintaSeBonita: https://youtu.be/8pcdnqLBRmQ 

 

Para o alto e avante!

Saiba mais sobre a experiência mundial Dove Escolha Bonita seguindo @Dove no Tumblr


DIA 90 – A arte de ter autoestima em qualquer lugar
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Gisela Rao

 

Mulheres com autoestima também deveriam ser cartões-postais das cidades, como os belos lugares.  Sim, a autoestima é o pôr do sol da vida. E não, você não precisa de nada para aumentar a sua porque ela já é alta e você nem desconfiava. Vou explicar melhor! Sabe aquela lata enferrujada da infância onde guarda os seus tesouros? A foto da sua mãe, a pétala desbotada da flor que ganhou do primeiro amor, a fitinha do Bonfim  azul que a sua avó trouxe da Bahia… Por um momento, tire tudo isso de dentro e comece a colocar as suas qualidades. Coloque uma primeiro – a maior de todas –, depois outra, e outra, até juntar um monte. Pois é, autoestima é isso: o conjunto das suas qualidades que nunca escorrega, nem foge, nem se perde, nem desbota como a tal pétala da flor.

Foto bt Erick de Vasconcelos

Foto by Erick de Vasconcelos

Foto by Erick de Vasconcelos

Foto by Erick de Vasconcelos

Foi assim, juntando todas as coisas que sei que são boas em mim, que joguei meu valor lá no alto, que entendi que beleza era ser eu mesma em qualquer momento, em qualquer lugar. Sim, mesmo filmando no meio do Congo; mesmo – e principalmente – vestida de palhaça para alegrar as crianças; mesmo quando a calça não serve ou o batom não combina; e mesmo quando alguém diz: “Cruz credo, isso está horrível em você!''. Sim, também aprendi que autoestima é pouco se lixar para a opinião dos outros, afinal, lembre-se: ser você mesma é o maior poder que existe =)

Foto by Frank de Abreu

Foto by Frank de Abreu

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Decidi ser bonita um dia em que eu estava de bobeira, esperando meu marido elogiar a cor nova do cabelo. Ops! Peraí, pensei. Pra que esperar sempre a validação dos outros? O elogio? O curtir da nova foto no perfil do Facebook? E foi assim que decidi ser bonita e pronto! E aprendi a me validar, a me elogiar e a curtir a minha própria imagem.

Para o alto e avante!


Dia 89 – O dia em que vi a vida
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Gisela Rao

Dez minutos após o mestre Itaoã Lara sugerir que eu ficasse mais desapegada da internet e afins, meu notebook queimou a fonte e Afonso II, meu iphone, entrou em colapso. E eu, dias depois, precisei de um restart que só mesmo os chineses acupunturistas espalhados pelo mundo (incluindo a África, são capazes de dar. Não vou dizer que foi o poder da mente brilhante e chicoteadora de Ita que criou o Deus-nos-acuda dos eletrônicos, mas que o céu da África tem um zirigudum especial, isso tem. Também tem uma eletricidade libomá (maluca) que some e quando volta me lembra o tufão nos quadris das mulatas do filme de Walmor Pamplona. No caso do note, deu para trocar a fonte para uma parecida que deixa o ponteiro do mouse doido a cada 10 minutos quando está carregando. O iphone ainda está no hospital.

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Tiro me chapéu para Ita e sua tese de que a vida se conecta mais sem conexão. Foi assim, sem Face, whats, Skype e câmera de fotografia que soube da existência dos passarinhos de peito azul neon, dos curiosos corvos Hitchcockianos em volta do drone, da moça de joelhos – arriada pela dor da perda do pai em frente ao hospital – da cadelinha amarela serelepe,d os pequenos irmãos ciganos que falam inglês, do francezinho de 3 anos que cumprimentou a velhinha pobre e aleijada, do refugiado ruanês que andou 4 mil quilômetros para chegar aqui, da senhora que beijou meu escapulário da Irmã Dulce quando eu disse que ela é santa etc etc e são tantos os eteceteras que eu escreveria bem mais se a ideia justamente não fosse desconectar hehe.
Aproveite a vida. Ela não tem reload.
Para o alto e avante!

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A homenagem de hoje do blog VAE vai para o Walmor Pamplona, pela paciência de platina e pelas sinapses mais pista-expressa que conheci na vida : )

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Dia 88 – “Talangai” – Olhe para mim
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Gisela Rao

Talvez a recente tentativa de tirar a própria vida de minha amiga M. esteja ligada por um fio de seda fininho com a África, o continente esquecido. Ambas clamam por “Talangai'', que em congolês significa: “Olhe para mim!''

Enquanto M., em depressão, precisa da atenção das pessoas para se sentir pertencendo, a África se esforça para atrair os turistas que nem sequer imaginam como suas paisagens, sua culinária, seu gingado, seu canto e dança são lindos maravilhosos. Não, na África não tem uma torre alta e iluminada, nem um arco-sei-lá-de-que-triunfo, também não tem ruínas gregas ou coisa do gênero, mas tem um povo cuja maior atração é a verdadeirice. Gente autêntica que não sabe bem o que é usar uma máscara, a não ser em apresentações sobre seus antepassados. Aqui, as emoções, expressões fluem livres como um galho de árvore no Rio Congo.

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Mas a ideia desse post nem é apenas falar sobre a África, mas sim sobre a conversa rápida de hoje com K. – que socorreu M. a tempo . Ela me disse como é triste isso da gente, no atropelo da vida, quase nunca ter  tempo para enxergar o outro. Talvez se a gente enxergasse, ouvisse e cuidasse uns dos outros, nem haveria depressão, nem nada das coisas que achamos que se resolvem com tarja preta.

Dez minutos após a conversa, pedi para E., sentado aqui ao lado, perguntar ao guarda noturno se ele estava com fome. E. apenas respondeu: “Estou ocupado agora''. Me pergunto: o que pode ser tão mais importante do que uma pessoa com fome? Levantei e fui levar um iogurte.

Talangai. Talangai. Talangai.

Para o alto e avante!

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A homenagem de hoje do blog VAE vai para o Dudu Poiano, que sabe me dar umas chacoalhadas nas horas certas :  )

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Dia 87 – A zona de conforto deixa a vida besta
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Gisela Rao

Faz dois dias que estou no Congo francês, em Brazzaville. Vim com uma equipe muito legal para fazer um trabalho interessante e demorado. Assim como a viagem pra Rússia, vir para a África central me deu um medão. Mas fui mesmo assim. Na realidade, o maior dos medos não é a malária & cia, nem o choque de realidade, nem o calor-assa-frango, nem minha ignorância em relação à língua francesa… é sair da zona de conforto. Mas chegando aqui, como em toda a viagem, entendi que o apego à zona de conforto é uma das armadilhas da mente pra deixar a vida besta.

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A sinceridade do povo africano, suas danças, cantos, roupas coloridas, a forma como sorriem quando você fala “bonjour'', sua inteligência, a maravilha dos eventos homenageando as mulheres, ontem, no seu Dia… vale todo e qualquer “sacrifício'' que você tenha que fazer para desapegar e deixar muitas coisas para trás. Pelo menos por um tempo.

Eu já tinha me apaixonado por esse continente quando estive na África do Sul e minha paixão só aumentou nesses dias. É muito desesperador ouvir as pessoas que têm preconceito pela África e pelos africanos. É de uma pequenez neuronal que pelo amor de Lord Ganesha. Afinal, é para – no mínimo – se pensar que todos nós temos origem aqui.

O Congo francês é uma saladona. Ao mesmo tempo que você vê montinhos de lixo nas ruas, você encontra várias construções (só de novos hospitais são 12!) sendo feitas, garças passeando pela rua vivendo a vida adoidadas, padarias francesas, macaco sendo vendido na feira para consumo… Sim, eu também fazia essa cara, até entender que é cultural, é o que eles têm para comer. E, afinal, de contas por que temos pena do macaco e não do peru no Natal? Pois é… 

O Congo francês valoriza suas mulheres. A gente vê várias faixas na rua falando de programas para elas. É um país que também abomina violência. Ai de quem bater na sua companheira. Vai se arrepender amargamente. Aqui, existe autoestima pelo país e também muita dignidade. Se você quer entender o que estou dizendo, veja esse comercial da Guiness.

Espero que esse primeiro post dessa longa viagem faça você ver melhor o que vejo: que esse país não tem fronteiras, e sim horizontes. E, antes de finalizar, um recado para José Carlos Rao: “Pai, não sou uma lutadora, não. Sou uma vivedora''. Hehehe.

Para o alto e avante!

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A homenagem de hoje do blog VAE vai para o Fabio Correa e seu super talento em tantas áreas :  )

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Dia 85 – Chopin e o hospital
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Gisela Rao

Não tem nada mais tenso do que pai ou mãe em hospital, principalmente se for público. Então, estava lá meu pai há dois dias, internado aqui no interior onde mora agora. Sou da turma do poderia ser pior, então tento não achar as coisas tão ruins, principalmente depois de ter convivido com o Patch Adams e sua filosofia de vida de 'alegria no sofrimento''. Mesmo assim, sempre é fodis.

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O hospital municipal daqui é muito limpo e tem uma equipe enorme e boa de pessoas trabalhando. Mas é claro que não tem leito pra todo mundo e é claro um monte de outras coisas. Mas sempre dá pra ter um oásis na areiona dessa vida. A areia no caso é Chopin. Fiquei várias horas com meu pai, em um salão com mais uns 10 pacientes. Aí, levei meu iphone e uma caixinha de som e soltei o Chopin. Meu pai que estava reclamando de tudo ficou mais calmo, os outros pacientes se sentiram mais confortados, as enfermeiras curtiram, e o ambiente todo ficou mais leve.

Não existe lugar melhor para o autoconhecimento e o conhecimento do outro do que um hospital. Nele, você vê onde é forte ou manteigão. Compreende melhor a pessoa que está no leito, doente. Compreende melhor quem está ao lado, quem vai de acompanhante e quem trabalha com a saúde. Meu pai foi um tremendo advogado, sempre teve atenção de todos, mas pecou em algo que me asssombra todos os dias: não guardou um centavo! Então, pior que ficar numa sala com um monte de gente, é não receber a atenção dos enfermeiros e médicos na hora em que ele quer. Mas em hospital público é assim. No começo fiquei com raiva da indiferença, mas percebi que eram as regras: como não tem tanta gente quanto deveria na equipe, eles têm horários rígidos em que cuidam dos pacientes, em que o médico passa etc etc. Por isso, a presença do acompanhante é fundamental, porque acaba trabalhando de enfermeiro e fazendo pequenas coisas para ajudar.

Meu pai doente me lembrou um pouco a minha mãe, principalmente pela falta de ar e pela mesma pergunta: “Será que vou morrer?'' Eu, que não sou Deus infelizmente, acabo voltando a pergunta para a pessoa que fez. Depois, perguntei se ele tinha medo de morrer. Ele disse que não. Acreditei. Pra quebrar o gelo perguntei se tinha algum Porsche-à-la-Éike por aí pra ficar de herança e dar uns rolês com B.L. e minha gata, mas não tem, não hehe.

Ele recebeu alta de manhã, vai continuar tratando de casa, mas eu sei que, ao contrário do Porsche do Eike, seu motor está cada vez mais falhando. Fiz questão de me despedir dele hoje porque sexta eu embarco para outro continente onde fico 3 meses (falarei no próximo post). Tomara que esteja tudo bem quando eu voltar. Vc sabe como são os italianos, meio pilha duracell ;  )

Também me despedi do Rener, o dedicadíssimo enfermeiro-chefe, cujo sonho é conhecer Roma. E levei um sonzinho portátil com CDS para que o pessoal pudesse continuar ouvindo Chopin, mesmo na nossa ausência. Mas não foi autorizado. Às vezes, pior que a falta de leitos, é o excesso de regras :  (

Para o alto e avante!

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BLOG VAE INDICA PARA QUEM ESTÁ COM ANSIEDADE, DEPRESSÃO OU PÂNICO

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Dr. Leonard Verea

Psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica. A clínica fica em São Paulo.

http://www.verea.com.br

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Dia 84 – Nós e o tubo de pasta de dentes
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Gisela Rao

Assumindo uma visão extraordinariamente simplista e irônica, divido as pessoas em duas partes: as que apertam o tubo de pasta de dentes no fim e as que apertam no meio.

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Tela magnífica by Luiz Sôlha

Sim, sou da última turma, pertenço ao povo que não planeja, que é impulsivo, que vive a vida a cantar como uma Cigarra. Ontem mesmo eu estava no shopping com B.L., me vangloriando de estar há dois dias sem comer doce, até dar de cara com o quiosque das Paletas mexicanas. Olhei pra B.L., que devolveu o olhar, e caímos de boca num sorvete de doce de leite que com certeza é coisa de Deus.

Isso me lembra da história dos caramelos. Os americanos fizeram uma pesquisa uma vez com um grupo de crianças. Colocaram um caramelo na frente de cada uma e prometeram mais um caso a criança esperasse a pesquisadora voltar. Pois bem, ela demorou uns 10 minutos. Algumas crianças atacaram de cara, outras esperaram um pouco e comeram, e algumas poucas esperaram até o regresso dela e ganharam outro. Nem preciso dizer que eu nem deixaria a moça terminar a frase e já teria atacado o meu. Enfiado na boca de uma vez só, sem cortar no meio nem nada. O mais curioso é que acompanharam essas crianças ao longo dos anos e perceberam que as mais bem sucedidas eram as que esperaram até o fim.

Então, eu devo ser uma exceção à regra. Se por um lado ainda não guardei $ por ter mesmo a impulsividade das crianças-atacadoras-de-caramelo, por outro agradeço todos os dias por me sentir tão bem sucedida em tantas coisas: trabalho, amizade, blog, livros, amor, ações humanas etc etc

Tela magnífica de Luiz Sôlha

Tela magnífica de Luiz Sôlha

Ser da turma dos impulsivos tem suas grandes vantagens, Primeiro, empurra pra frente os que têm medo de fazer ou ousar. Segundo, temos sempre histórias, histórias e histórias para contar. Terceiro, quando a gente bater as botas, o povo vai comentar: “era do tipo que “Sem saber que era impossível, foi lá e fez'' (Jean Cocteau). Hehehe.

Para o alto e avante!

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Dia 83 – O fogo, o ar, as relações
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Gisela Rao

> Blog VAE volta meio-dia :  )

Era apenas para ser um freela como outro qualquer, bom $ para realizar coisas muito importantes para mim, com pessoas interessantes, num país que amei conhecer. Acabou sendo pivô de uma confusão dos diabos, explosões, mágoas, exposição de coisas encalacradas, ofensas etc etc. Foi tão complicado que fui pra São Francisco Xavier dar uma relaxada no finde,

na d-e-l-i-c-i-o-s-a Pousada Vila Santa Bárbara (https://www.facebook.com/pousadavilasantabarbara).

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Chegamos na sexta à noite e fui acender a lareira toda alegrinha. Tinha uma resina redonda, que ajuda no processo. Foi um fiasco. Não vingou. Na outra noite, fez-se fogo ardente e lindo. Entendi o que havia acontecido na sexta: sufoquei demais. Na ansiedade de querer que a chama fosse minha, tirei o ar, joguei muita lenha, desgastei o processo. Talvez o fato citado no primeiro parágrafo desse post também traga essa reflexão. Amizade de anos misturada com trabalho, que acaba sufocando em uma espécie de posse justamente em cima de alguém como eu que se intitula (free)lancer.

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A gente não sabe da gente. Quem sabe da gente é o destino. O trabalho próspero foi pedido para o Universo uma semana antes de aparecer, na calma, na transparência, na fé. E gentilmente – como sempre – veio e fiquei tão feliz. Depois fiquei triste com tudo que aconteceu. Está certa a música que diz “Ame e deixe livre para amar'', ou para voar, ou para trabalhar em outros projetos que fogem do meu controle e do controle da pessoa que quis romper a amizade. E sempre fugirão. Dia 1 de março eu deveria estar na Itália, passagem paga, casa paga, e a roda da vida virou e fez tudo ser diferente. E assim é. O bruxo Everson  Romero (http://zip.net/bkqLDW) já tinha avisado sobre o novo projeto, ano passado no jogo de tarô, quando saiu a carta da Fortuna. Na época, eu até fotografei e botei como capa do celular.

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Então, agora é bola pra frente. Levando na mala muita vontade de fazer esse trabalho, minha consciência transparente – como tudo que faço – e a pulseira/colar tão linda, tão vibrante e tão astral feita pela Ana Bruna, de 10 anos,  filha do dono da Pousada :  )

Para o alto e avante. Sempre!

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Rosinha – o livro do VAE online na Amazon ($ 10.79)! http://zip.net/bcpMBd

Ou em papel, na Livraria Cultura: http://zip.net/bxqCL2

 

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Dia 82 – Eu fujo!
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Gisela Rao

Olhem bem para esse moço, é o Pedro Fonseca, na minha opinião uma das almas mais interessantes do Brasil (http://www.lojadehistorias.com)

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Pedro, entre outros projetos, tem um site/instagram chamado de Loja de Histórias. Você manda uma foto que tirou e ele escreve uma história sobre a foto. Sim, na faixa. Veja uma:

By Olívia Nachle

By Olívia Nachle

Vai buscar quem mora longe.

 

E quando os peguei no colo, a sensação era de quem abraça o mundo, filhos. Pensei que fosse morrer, aquelas luzes, mulheres enfiando todo o tipo de agulha em meus braços, uma dor física, outra moral, uma outra ainda aguda nas têmporas. Tive saudades, menos que medo, mas tive. Tive fome, menos que sede, mas tive. Tive cãimbras, mais que medo e fome.
Estou feliz por ter chegado nesse país que não sei o nome, filhos. Deve ser o paraíso, pois pelo juízo final eu passei, graças ao Deus que me cuidava.
Estava com saudades, filhos. Vocês estão bem?

Acordei do coma e Laís segurava a minha mão com cara de espanto.

 

Assisti à sua palestra – na Kind – no outro domingo e perdi o rebolado de todos os pensamentos que tinha cravados como crenças, na minha cabeça. Me deu uma incrível vontade de ser mais livre. Entendi perfeitamente quando Pedro disse que não sabe o que escrever quando a ficha do hotel pergunta: “O que você faz?''. Ele diz que faz tudo que diz que não é. Escreve, mas não é escritor. Fotografa, mas não é fotógrafo. Dá palestra, mas não é palestrante. E por aí vai…Também já fui tanto o que não sou que nem mais sei o que sou ou o que serei. Pedro responde na ficha do hotel quando perguntam o que ele faz: “Eu fujo!''

Tem dias que dá vontade de fugir. Hoje eu estou num dia assim porque o que era pra ser uma coisa legal virou milhões de outras ruins que não eram pra ser. Mas, como diz Lobão, e talvez Pedro: “Nem sempre se vê lógica no absurdo…''

Para o alto e avante!

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COLUNAS DA GISELA RAO  NO ATMOSFERA FEMININA

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