Minha Vida Sem Photoshop

Dia 127 - Calma, calma, calma!

Gisela Rao

Eu já tava na louca nesse começo do ano, querendo atirar pra todo lado. Isso porque o contrato do meu cliente demora um pouco pra rolar e também porque eu sempre fico achando que tenho que fazer mais e mais e mais. Então, eu colei essas folhas na parede para fazer cronograma de metas etc.

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Acontece que me deu a incrível sensação de que eu estaria repetindo 2015 tudo de novo. Um ano em que cheguei um bagaço em dezembro, sem energia para fazer coisas que seriam realmente legais.

Bisbilhotando pela internet, eu achei esse texto/vídeo do filósofo Marcelo Sando, onde ele começa dizendo: “Só estamos perdidos enquanto acreditamos ter algo a ser encontrado. Ao abandonar a busca, ao não ter mais esse peso existencial de ter que encontrar algo, a vida se torna apenas estar vivo”.

By Joarez Filho

By Joarez Filho

Isso me deu um certo alívio porque eu senti muito a minha falta ano passado de tanta coisa que fiz. Me afastei de mim, engordei. Deixei o alvoroço tomar conta. Quando alguém me perguntava – “Como vai você?” – eu respondia: “Não sei. Posso te dizer depois?” hehe.

Tem uma coisa que eu observei na vida. Quando eu faço algo que absolutamente tem a ver com a minha verdade, sai uma energia descomunal, gostosa, que torna tudo leve, como se algo ou alguém estivesse me pegando pela mão. Quando faço algo por fazer, me canso, tenho preguiça, é estranho.

Então, eu não pedi nada nessa virada de ano, nem fiz promessas. A “resolução” é apenas deixar a minha verdade me levar!

Para o alto e avante!

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O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias

Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: "Cada vez menos vejo a carta do "Louco" no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: "O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram...Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio". Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro "Diários Marroquinos" (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células - tão lindas - psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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