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A verdade liberta. Ouviu?

Gisela Rao

01/03/2016 20h09

Não entendi bem quem era o professor Rubens Queiroz que meu amigo Demetrio me indicou. Mas mesmo assim fui lá, no pé da cantareira (SP). Um homem alto, bonito, mistura de Sean Connery com Charlton Heston, de uns 80 anos, abriu a porta. Da entrada até o sofá da salinha, já deu pra perceber uma coisa que eu nem me lembrava mais: a necessidade que tenho de ser aceita e, portanto, o meu pavor de rejeição. Em poucos segundo, o professor me descascou hehe.

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Achei que era uma coisa que tinha ficado pra trás, na terapia, onde pensei ter enterrado muitos dos mortos-vivos que me assombravam desde a infância. Durante essas duas horas em que ficamos juntos, apareceu tanta coisa. Apareceu a necessidade de ser sempre o clown, o bobo da corte (e não falo pejorativamente), porque, afinal, quem não gosta de gente que sabe fazer rir? Mas esse personagem o dia inteiro cansa, né? Também apareceu a minha mania de elogiar as pessoas. Achei que fosse um naco de DNA herdado da mãe, mas é uma forma automática de também ser aceita (diga-se de passagem muito prazerosa). Então, talvez eu não me curta tanto quanto eu imaginava, já que preciso mais da aceitação dos outros do que da minha 😐 Talvez por isso também eu goste tanto dos animais, porque é amor-sim/rejeição-não, garantida ;  ) Mas o mais curioso foi ver a quantidades  de “Nãos” que eu falo. Escrevendo esse post, por exemplo, já paguei vários. Nunca tinha percebido. É uma forma de sempre se defender, né? E muito provavelmente de expressar o medo do novo. Já que o “não” é primo do mesmismo. E o “sim” é irmão dos novos horizontes nunca antes desbravados.

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Falar demais na negativa acaba sendo uma postura agressiva diante da vida. É uma energia que nunca passa pela gente, pelo que a gente sente. Um exemplo: o professor perguntou se eu queria entrar na piscina. Estava frio. Era proibido ter a palavra “não” na resposta. E eu respondi: “Nem por um cacete!”. Então, ele me disse que eu poderia simplesmente responder: “Estou bem aqui, professor”. Pois é…

Ele riu quando eu disse que era overspening, viciada em comprar ou gastar $, sei lá. Ele riu porque ficou claro (ainda mais para quem trabalha com os padrões que a gente enfia na nossa cachola) que isso também é fruto de tudo isso que falei acima. É muito possível que eu compre presentes, que eu doe $, que eu compre coisas desnecessárias também como uma forma de ser aceita. Mesmo inconscientemente posso comprar um objeto – que eu nem faça tanta questão – para deletar a possibilidade de me achar rejeitada pelo objeto, ou pela loja ou pela vendedora. Louco, né?Eu realmente entendi melhor meu pai ontem e a volúpia por gastar. Acho que o fato da minha mãe ter um sobrenome chique incomodava meu pai. Sendo assim, ele sempre se projetou como alguém que ganhava mais do que ganhava e comprava mais do que podia. Faz sentido, não? Também queria ser aceito por ela e pela sociedade onde ela transitava.

Embora o professor Rubens seja um homem enérgico e embora eu tenha tido vontade de jogá-lo na piscina várias vezes por falar as verdades, é uma das pessoas mais amorosas que conheci. No topo dos seus 80 anos faz ainda questão de dividir seu conhecimento, sobre programação pessoal, e seu amor pra gente fazer um lindo embrulho e levar de presente pra casa. Saí de lá com uma vontade incrível de falar mais “sim” e de cuidar mais de mim.

Lembre-se: a verdade liberta! Ouviu?

goldfish jumping out of the water

goldfish jumping out of the water

Gratidão Demetrio. Gratidão professor Rubens (11 – 99615-6112)

Volto na terça-feira :  )

Beijos

************************

“A malária é um problemão no Congo e era a primeira vez que eu via uma criança tão doente na minha frente. Ela estava deitada no colo da sua mãe na calçada. Seus olhos eram grandes, amarelados, cansados e diziam nitidamente “Eu sei que vou morrer, moça”. Perguntei para a mãe quanto era o remédio e fui comprar. Um homem que viu a cena me agradeceu em francês. Saí dali triste pra caramba mas também com a certeza de que quem cura não é o remédio, é o amor”.

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Queridos leitores, se vocês se emocionaram com essa frase do meu novo livro, por gentileza, colaborem para concretizá-lo :  ) Dá sim pra gente fazer um mundo mais feliz e inspirar mais gente a caminhar nessa jornada. É só clicar:  http://www.kickante.com.br/Livro-sobre-minhas-viagens-humanitarias

Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: "Cada vez menos vejo a carta do "Louco" no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: "O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram...Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio". Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro "Diários Marroquinos" (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células - tão lindas - psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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