Minha Vida Sem Photoshop

O dia em que Deus errou feio

Gisela Rao

Essa foto é do Sebastião Salgado. Achei que seria legal ter uma imagem linda dessas nesse post sobre a velhice.

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Acompanhei meu pai algumas noites no hospital, onde também conheci outro velhinhos. Todos sofrendo pra caramba. Sinceramente? Acho que Deus errou feio obrigando as pessoas, principalmente os idosos, a sofreram tanto na reta final.

A coisa podia ser muito mais simples, como no filme Blade Runner. Os Replicantes, robôs quase humanos, também têm um dia exato para morrer e simplesmente isso acontece de uma hora para a outra, sem dor. A angústia aqui, nesse caso, é saber quando o “barqueiro” passará navegando entre as margens da vida e da morte.

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O sofrimento dos velhinhos pega feio na alma, porque ninguém gosta de ver alguém sofrendo e também porque nos estapeia a cara lembrando que essa passagem da vida também nos espera. Aí dá uma espécie de mistureba de saco cheio com compaixão e medo. Saco cheio porque exige muitas coisas do acompanhante, compaixão porque é triste de se ver e medo porque o tempus fugitis.

Mas vendo meu pai nessa fragilidade toda, eu o enxergo com mais ternura, com mais humanidade porque nossa relação nunca foi boa. Sempre tive horror do seu autoritarismo e perfil depreciador. Mas, assim, esbudegado fisicamente, é como se ele descesse ao reino dos mortais, dos vulneráveis. E aí veio uma revelação: cheguei chorando ontem no consultório da Neiva. Então, descobri que o homem que eu pensava que não amava é o homem que mais amo :’-) 

Até lá! Um beijo

******************************

Você sabia que, segundo a Universidade de Harvard (EUA), doar deixa a gente mais feliz do que receber?  Faltam 2 dias para acabar o meu financiamento coletivo e sua contribuição é mega uber importante :  ) Agradeço desde já!

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http://www.kickante.com.br/campanhas/viagem-humanitaria-com-opatch-adams-no-marrocos

Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: "Cada vez menos vejo a carta do "Louco" no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: "O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram...Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio". Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro "Diários Marroquinos" (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células - tão lindas - psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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