Blog Minha Vida Sem Photoshop http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Cansada de ver tanta gente se desvalorizando por aí (inclusive ela mesma!). Wed, 21 Jun 2017 23:41:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Espelho: diga a verdade e saia correndo http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/espelho-diga-a-verdade-e-saia-correndo/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/espelho-diga-a-verdade-e-saia-correndo/#respond Wed, 21 Jun 2017 23:00:32 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12864 Não sei em que momento da vida a minha traseira ficou no formato do Dr. Coluna que tem na cadeira do meu computador. Sim, trabalho sentada há décadas, mas sedentária mesmo faz uns 5 anos e, sim, coincidiu com o tempo em que estou casada. Ou seja: aquela velha história de que a gente relaxa depois que casa, não é lenda urbana. 

Começou com uns dois quilos a mais, souvenir da Lua de Mel na Itália, aí vieram mais 7 com a saraivada de pizza, Netflix, Uber, outras viagens para a Itália e, well… alguns bons pedaços de bolo bem-casado da padoca da esquina. As tais desculpas-verdadeiras, segundo a psicóloga Marina Gaudencio.

Veja, o que faz o casamento durar não é o casal ser igual nas qualidades e, sim, nos defeitos. E a gente ama Netflix, pizza e doces – bem nessa ordem. Mas a realidade liberta e, na semana passada, me hospedei em um hotel que estava em promoção para curtir uma outra coisa que adoro na vida: tomar banho de banheira com um sal negro muito, mas muito fedorento da Índia. Quando eu saí da água, eu vi – no espelho de corpo inteiro – uma pessoa que não reconheci: euzinha, nua e crua, com 9 quilos a mais e todas as promissórias que a vida cobra quando você tem mais de 50 anos e para de se cuidar. 

 

 

 

 

 

 

Agora eu entendo bem a frase: “Diga a verdade e saia correndo”. Cara, foi um choque! Fazia tempo que eu não me olhava em um espelho desses que vai até o chão e ver foto não é a mesma coisa porque a gente sempre culpa a lente da câmera por nos engordar. Eu nem sabia que celulite migrava. Eu achava que ela era uma posseira safada que firmava moradia em um canto só, sem pedir permissão, mas não: ela vai discretamente empurrando pra lá a cerca do vizinho, e descendo para a coxa, joelho e nem as batatas da perna são poupadas. 

Então, tá, e agora o que fazer? Dar literalmente o primeiro passo que logicamente não é me inscrever em academia e receber aqueles olhares de “a Tia Sukita chegou”, achar tudo lindo e nunca mais voltar. Como boa Tia Sukita acabei de baixar o Cd da Gloria Gaynor no Itunes, porque não, não sei bem o que é o tal de Spotfy hehe.

 

 

 

But, yes, I will survive, I will survive…

Até quarta que vem :  )

]]>
0
Eu não estava pelada, mas e se estivesse? http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/05/12/eu-nao-estava-pelada-mas-e-se-estivesse/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/05/12/eu-nao-estava-pelada-mas-e-se-estivesse/#respond Fri, 12 May 2017 14:06:33 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12849 Meu sexto livro iria se chamar “Minha Vida Sem Photoshop”. Eu nunca começo um livro novo sem ter o título e uma ideia da foto de capa. Para isso, infernizei a vida do super uber fotógrafo Bob Wolfenson por um ano, pedindo para tirar a foto e finalmente consegui.

Eu queria uma foto simbólica que mostrasse que eu não tenho nada a esconder: nem meu lado sombra, meus defeitos, meus “erros”, nem minha celulite, porque depois de um trabalho incrível de autoestima – com as psicólogas Neiva Bohnenberger e Silvia Pedrosa – eu finalmente me aceito e me curto pra caramba.

Acontece que mudei o assunto do livro no meio do caminho e resolvi postar a imagem no Facebook porque a acho linda e divertida :  ) Ela será a foto da autora, no livro.  Tive muitos feedbacks legais, mas também tive uns retornos engraçados, do tipo: “Meu Deus, você postou uma foto pelada no Face!”. Então, na verdade não estou como vim ao mundo por dois motivos: estou com um body azul por baixo (se não acredita, pergunte ao fotógrafo), segundo: tem uma caixa de papelão por fora. E “pelada/nu”, segundo o dicionário Michaelis, significa: “Sem proteção ou cobertura; descoberto, desprotegido, exposto”.

Mas cheguei até aqui para refletir: eu não estava pelada dentro da caixa, mas e se estivesse? Porque o nu não causa choque na praia e nem no Carnaval, mas causa dentro de uma caixa de papelão? Por que a sexualidade feminina, assim na lata e sem aviso prévio, é sempre motivo de incômodo? E se fosse o Tiririca peladão dentro da caixa de papelão?

Gente, não é só a fila que anda. Mulher poder votar andou, mulher poder rir em público andou, mulher transar só de baixo de um lençol com um buraco andou, mulher poder tirar foto grávida de biquíni andou…

Vamos andar com este tipo de “pensação?”

Até o próximo post :  )

————————————————————

GISELA RAO INDICA!

Conhece esse moço bonito e alto-astral? Ele dará uma Oficina de Plantio de Cristais muito, mas muito legal, original e anti-estresse (SP). Vamos fazer?  :  )

https://www.facebook.com/events/660918914097185/

“Passaremos uma tarde aprendendo a plantar sementes de cristal no jardim de casa. Para isso, estudaremos as relações das pedras com os elementos da natureza à sua volta, construindo um ambiente adequado para o plantio.

Veremos também os cuidados necessários que cada pedra requer para manter seu máximo potencial energético, e analisaremos a função vibracional de cada um dos 8 cristais:
turmalina azul, turmalina negra, calcita óptica, topázio, água-marinha, cianita, selenita e quartzo lemuriano.

Durante a tarde será servido um lanche com frutas e água de coco.”

Dia: 13 de maio – das 14h às 18h

Local: Vila Madalena

Valor: 99 reais

]]>
0
Os espíritos que eu vejo e você nem sabia http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/03/29/os-espiritos-que-eu-vejo-e-voce-nem-sabia/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/03/29/os-espiritos-que-eu-vejo-e-voce-nem-sabia/#respond Wed, 29 Mar 2017 18:46:49 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12824 Minha mãe tinha mediunidade, mas não falava muito sobre isso porque era católica da gema e escondia o jogo. Mas quando ficou muito doente, viu pessoas-espíritos gentis sentadas na sua cama como se estivessem zelando por ela e, de fato, isso deve ter ajudado na sua cura.

Minha herança mediúnica começou a se manifestar quando eu tinha uns 30 anos e morava na Rua João Moura. No começo, eu vi rostos de pessoas de todas as idades – quase sempre sorrindo – e depois evoluiu para ver as pessoas inteiras. Os espíritas chamam isso de viagem astral. Todo mundo faz, mas quase ninguém lembra (sim, o espírito é mesmo livre do corpo). Ou seja: consigo ver o quarto onde estou, vejo meu corpo na cama, vejo meu marido e também algum espírito que esteja nessa dimensão. Eu demorei muito para falar disso porque eu cag@%$ de medo e, até hoje, ainda acordo com os sustos que levo, mas também já consigo me comunicar um pouco. E este será o tema do meu sexto livro, onde relato minhas viagens pelo mundo e os espíritos que vi em SP e em alguns países. Está ficando bem legal :  )

Semana passada rolou uma coisa muito doida. Fui com B.L. em um passeio criativíssimo chamado Haunted SP, fundado por Rogério Cantoni e Elaine Vilela. O evento é assim: durante duas horas, cerca de 40 pessoas ficam em um ônibus passeando por São Paulo, onde a guia Daiane e o ator-fantasma (o próprio Rogério) – que merece o Oscar – relatam crimes e mostram lugares onde as pessoas dizem ter visto espíritos, como: o Teatro Municipal, Edifício Martinelli, etc etc. O passeio, além de voltado para as assombrações, também tem uma pegada humanitária bem bacana.

Elaine Vilela

Rogério Cantoni (Angelo)

Quando nós paramos em frente ao castelinho da Rua Apa, onde uma família foi assassinada (dois irmãos e a mãe), aconteceu uma experiência estranha: comecei a receber uma energia forte de baixo para cima, que contraiu toda minha musculatura e que em seguida me fez chorar e bocejar várias vezes. Não sei te dizer o que é isso porque ainda não comecei a estudar espiritismo, mas que foi doido foi. Ainda bem que ninguém, além do meu marido,  percebeu (estava escuro) :/ Aliás, ele já está acostumado hehe.

O Castelinho, que já foi palco de tudo o que se possa imaginar, foi reformado e será uma ONG de auxílio a crianças e moradores de rua. Espero realmente que este gesto incrível transforme a energia de lá para muito melhor. Cruzes!

Em breve, terei notícias sobre o livro novo, com a capa do formidável Rafael Ferro.

Até mais :  )

https://www.facebook.com/sphauntedtour

giselarao@gmail.com

+++++++++++++++++++++++++++++++
BLOG MINHA VIDA SEM PHOTOSHOP INDICA
Sergio Bastos, especialista em microfisioterapia, uma técnica sutil mas que elimina muito rapidamente as dores nossas de cada dia (físicas e emocionais): costas, lombar, ombro, cabeça etc etc
Entenda melhor essa técnica francesa: https://www.facebook.com/saudebiointegral
Sergio Whats: 11 98885-4262
+++++++++++++++++++++++++++++++
QUINTO LIVRO DA GISELA RAO
 http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br
22871297
O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias
]]>
0
Fui bloqueada no Face por excesso de compaixão http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/02/13/fui-bloqueada-no-face-por-excesso-de-compaixao/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/02/13/fui-bloqueada-no-face-por-excesso-de-compaixao/#respond Mon, 13 Feb 2017 15:55:51 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12813 Já perdi mãe, pai, duas avós e duas gatas que eram da família, então sei reconhecer nos olhos do outro a tristeza, a dor e a sensação de desamparo destroçante de quem fica. Não sou petista (já fui!) e voto em branco há algumas eleições, mas não pude deixar de me comover com o olhar tão triste do Lula no velório de Dona Marisa. Postei sobre isso e vários “amigos”, um até das antigas, me bloquearam no face por não aceitar que eu sinta pena do ex-presidente. Tentei explicar que minha compaixão era pela dor, independente de quem fosse e de que partido fosse. Não adiantou. Segundo fontes, o amigo das antigas ainda publicou o seguinte troféu: “Limei mais uma com pena do Lula!”

16508020_1278079585574531_8240883976169020387_n

Não sei dizer se a gente nasce com compaixão ou se herda. Só sei que venho de uma família onde a solidariedade é diária e tão comum quanto colocar manteiga na torrada, no café da manhã. Minha mãe morreu ajudando os outros e, talvez por isso, a fila de visitação no hospital, quando ela ficava doente, dobrasse quarteirões.

6e6f63c844555bea9170efec950cd763

Exatamente em que momento a compaixão virou um sentimento lixo? Temos algumas pistas no texto do publicitário Jarbas Agnelli:

“A verdade sobre as redes sociais é:

seres humanos não foram feitos para se comunicar tanto.

Nunca na história tivemos esse nível insano de interação: uns entrando nos cérebros dos outros, em tempo real.

É claro que ia dar merda. Somos imperfeitos, egotistas, invejosos, ciumentos, mal resolvidos, cheios de buracos existenciais, traumas e recalques.

Até alguns anos atrás, quem sabia escrever se comunicava por carta. Além da cerimônia, havia o tempo. Uma resposta demorava dias, senão semanas. Havia tempo para pensar. Pensar enquanto lia. Pensar na resposta. Pensar antes de escrever.

Era quase como a comunicação ao vivo.

Ao vivo as pessoas sempre foram comedidas com estranhos, como são até hoje. Você não expõe seus medos, suas revoltas, em contatos triviais, a não ser em casos extremos.

Até que apareceu a internet.

A rede social introduziu o atalho direto ao Id. A comunicação despida de ritual ou educação. Impulsiva, quase subconsciente, com um mínimo de reflexão.

Garotos tímidos de 16 anos se tornaram haters de 3 metros de altura online. Senhoras recatadas viraram troladoras impiedosas. Pessoas que mal sabem raciocinar, quando muito expor suas ideias de forma ordenada, subitamente tinham opinião sobre tudo, e espaço onde vomitá-las. O mundo virtual virou um ringue de vale-tudo”.

Na minha opinião, a rede apenas revela as sombras que sempre escondemos. Portanto, a rede é quem somos. O mestre do meu ex-professor de Kenjutsu só confiava em quem bebesse junto com ele, porque era nesse momento que as máscaras caíam.

Na boa, sigo pela vida compassiva e solidária, deixando pelo chão migalhas de pão e ex-amigos que preferem tomar seus porres diários de ódio, eternamente culpando os outros pelo seu tupperware de infelicidades.

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” – Che Guevara

Até a semana que vem!

giselarao@gmail.com
+++++++++++++++++++++++++++++++
BLOG MINHA VIDA SEM PHOTOSHOP INDICA
16508740_1282947201754436_3221685404628045159_n
Um dentista muito especial: Renato Mesquita!
Pensa numa paciente ex-traumatizada graças a ele. O dentista mais fera e mais bonito de São Paulo : ) Gratidão eterna a esse super profissional – (11) 5571-8858 – Ao lado da estação Ana Rosa do metrô
+++++++++++++++++++++++++++++++
QUINTO LIVRO DA GISELA RAO
 http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br
22871297
O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias
]]>
0
Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós? http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/por-que-trocar-a-lampada-ficou-mais-interessante-que-nos/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/por-que-trocar-a-lampada-ficou-mais-interessante-que-nos/#respond Tue, 17 Jan 2017 23:18:16 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12796 Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada.
images
Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: “Cada vez menos vejo a carta do “Louco” no jogo de tarô das pessoas.
00-major-fool
É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: “O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. “O Essencial será sempre invisível aos olhos”. O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram…Misture a sua “maluquez” com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio”.
Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro “Diários Marroquinos” (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona).
15284011_10209375818645309_5514881575984995871_n
Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células – tão lindas – psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio?
“Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio” – William Blake
+++++++++++++++++++++++++++++++

giselarao@gmail.com

+++++++++++++++++++++++++++++++
BLOG MINHA VIDA SEM PHOTOSHOP INDICA
16128420_1261225550593268_1384696944_n
Sergio Bastos, especialista em microfisioterapia, que deu um jeito incrível na minha bursite, além de vários conselhos legais, afinal: nada é o que parece ser.
Se você estiver sofrendo da coluna & cia, entenda melhor essa técnica francesa: https://www.youtube.com/watch?v=OdBSUrz1tUo
Whats: 11 98885-4262
+++++++++++++++++++++++++++++++
QUINTO LIVRO DA GISELA RAO
 http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br
22871297
O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias

 

 

]]>
0
2016. Um ano virado, amassado, lambuzado, assoprado, beliscado, transformado http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/12/27/2016-um-ano-virado-amassado-lambuzado-assoprado-beliscado-transformado/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/12/27/2016-um-ano-virado-amassado-lambuzado-assoprado-beliscado-transformado/#respond Tue, 27 Dec 2016 22:43:11 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12763 No fim de 2015 me esbaldei por 45 dias na Itália com B.L., crente que as coisas não mudariam muito em 2016. Pois é, acontece que meu cliente redirecionou sua estratégia e a porca torceu o rabo pro meu lado: fiquei 5 meses sem trabalho :/

O problema dos milionários de emoção é que não guardamos dinheiro, justamente porque somos colecionadores de viagens e de momentos virados do avesso, então você imagina como foram esses meses. Não foi a primeira vez que acordei duranga e, não, não aprendi nada na primeira vez em que isso aconteceu, em 2010. Saí atirando para todo lado, mandei e-mails, inbox no Facebook explicando a situação, com uma ansiedade que Deus o livre. Eu tinha acabado de voltar para São Paulo, depois de 4 anos no interior, e B.L. – novo na cidade – também estava sem trabalho, então nos sentimos à beira do Grand Canyon de patins, sem freio.

Mas vou citar duas frases, de autores beeeeem diferentes, que me ajudaram a segurar a onda do entrar em pânico: “É impossível levar um barco sem temporais” (Jards Macalé) e “Just keep swimming” (Doris – Procurando Nemo) hehe.

6a00d83452b26b69e200e54f477ef88834-640wi

E foi assim, entendendo os temporais da vida e sempre nadando, nadando, nadando, que conheci a Pfizer, via minha amiga (e ex-cliente) Andrea Mitelman, e suas gentes  incríveis  que valem por muitas viagens, como Rodrigo Almeida, Jacqueline Nunes, Cristiane Santos, Stela Sartori, Milton Barreto, MirianYoshino, Rafaella Miranda, Glaucia Cavalcante, André Zansávio, Pedro Oliveira, André Deus, Dr. Fernando Gonçalves, Willian Bezerra, entre tantas outras que não cabem aqui. Então, não posso me juntar ao coro das lamentações de 2016. 

Melhor ainda que citar a frase “quando uma porta se fecha, abre outra”, é contar a historia do fazendeiro que comprou um cavalo lindo e toda vizinha veio falar: “Nossa, que bom!”; e ele respondeu: “Não sei se é bom, ou não sei se é ruim…”. Dias depois, seu filho foi montar no cavalo e quebrou a perna, e a vizinhança veio de novo e disse: “Nossa, que ruim!”; e o fazendeiro respondeu: “Não sei se é ruim, não sei se é bom…”. E na semana seguinte veio a guerra e o filho não pôde ir… 

Então, 2016 foi para mim um ano virado, amassado, lambuzado, assoprado, beliscado e muito transformado. E a única coisa que desejo para 2017 é:

JustKeepSwimming

+++++++++++++++++++++++++++++++

BLOG MINHA VIDA SEM PHOTOSHOP INDICA
O ótimo oftalmologista Dr. Fernando Gonçalves. Graças a ele já estou escrevendo meu sexto livro : )
Dr.Fernando Gonçalves
Avenida Faria Lima: (11)  3818-2020
Rua Adolfo Pinheiro: (11) 5546-2020.
+++++++++++++++++++++++++++++++
QUINTO LIVRO DA GISELA RAO
 http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br
22871297
O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias
]]>
0
Manifesto: você não é “apenas isso” em nada! http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/09/18/voce-nao-e-apenas-isso-em-nada/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/09/18/voce-nao-e-apenas-isso-em-nada/#respond Mon, 19 Sep 2016 00:23:03 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12744 Eu tinha quebrado um pau daqueles com B.L. na noite anterior. Peguei o celular e mandei um e-mail pedindo perdão para Pedrinho Fonseca, dizendo que não poderia ir à praça, de manhã, receber o livro “Do Seu Pai”, com textos que ele escreveu pros seus filhos lerem um dia. Tasquei a culpa no ciático, que realmente estava dando o ar da graça, mas o motivo era mesmo putencência por mais uma vez brigar com B.L. por coisas que ele sabe bem que me irritam.

Pedrinho, um nômade digital (e na minha opinião um dos maiores escritores do momento), estaria em São Paulo, na Praça das Corujas, entregando seu livro pra quem ajudou no seu financiamento coletivo. Fiquei feliz porque os 20 c0ntos que doei nem davam pro gasto, mesmo assim, ele – generoso da gema – quis me presentear.

By Pedro Fonseca

By Pedro Fonseca

Fui dormir na madrugada, eu e meu ciático abalado, mas de manhã bem cedo vi B.L. se vestindo e deu aquele aperto no coração. Tenho horror de acordar sem a pessoa amada por perto, provavelmente resquícios da infância e da partida do pai. B.L. não queria papo. É sempre assim nas vezes em que a gente briga feio: ele me irrita e eu meto picada de escorpiana, neta de calabrês. Acabamos fazendo as pazes e fomos encontrar Pedrinho. Foi fácil achar, era uma mesa improvisada no meio das crianças e da cachorrada da praça. Ele não acreditou quando me viu e me anunciou, para quem estava em volta, como uma escritora de verdade. “Olha quem fala” – pensei.

Naquele dia e em uns poucos antes deste, eu não estava nada bem. Às vezes, ter vivido uma vida de cigarra e “torrado” todo o dinheiro em viagens me deixa com medo e –  você sabe, né? – dor no ciático (na nuvem metafísica) significa “preocupação”. Aos 51 anos, a ficha caiu com o poste telefônico inteiro, ainda mais quando um dos meus clientes deu pra trás. Minha autoestima estava em cheque naquele dia e, Pedro, sem querer me fez chorar por debaixo dos óculos escuros. Um choro bom , de resgate, de um braço amigo que te puxa  de um lugar em que você não reconhece muito, mas  consegue sentir a presença do Minotauro. Ele fez isso depois de me elogiar um monte e de ouvir de mim: “Pedrinho, eu sou uma humorista, apenas isso”. Fez isso, quando disse: “Gisela Rao, você não á ‘apenas isso’ em nada…”. E eu lembrei mesmo que não era”‘apenas isso” em nada, como todas as gentes que conheço não são “apenas isso” em nada; como todos os africanos em uma balsa à deriva não são “apenas isso” em nada; como todos os refugiados que conheci não são “apenas isso” em nada; e todos os pobres; e todos os animais abandonados; e todos os homens cobrados demais; e todos os velhos; e todas as mulheres que sofrem preconceito, abuso… não são “apenas isso” em nada; e todas as crianças que são chamadas de burras, ou de diferentes… não são “apenas isso em nada”; e todos os gays, lésbicas e trans… não “apenas isso” em nada.

Sim, Caetano, “gente é pra ser feliz”; e sim, Pedrinho,  gente é pra não ser “apenas isso” em nada!

By Pedrinho Fonseca

By Pedrinho Fonseca

**********************************************************************

FALTAM 6 DIAS! Para o picnic do VIGILANTES DA AUTOESTIMA, com Gisela Rao (blogueira do UOL) e Neiva Bohnenberger (psicóloga). Vamos rever o que faz sentido na nossa vida, voltar a nos motivar – com direito a sessão desabafo.

Dia 24/9 – das 15 às 18h (São Paulo) – Investimento: R$ 49,00 : ) – São Paulo
INFOS: giselarao@gmail.com

Gisela e Neiva

]]>
0
E quando a morte quase pega carona no seu avião? http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/08/21/e-quando-a-morte-quase-pega-carona-no-seu-aviao/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/08/21/e-quando-a-morte-quase-pega-carona-no-seu-aviao/#respond Mon, 22 Aug 2016 02:13:19 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12727 Quando eu era pequena tinha uma mania que trago até os dias de hoje: a de guardar coisas caso eu ficasse perdida em alguma floresta ou sabe-se lá Deus onde. Eu nunca viajei de avião quando era pequena, mas isso não me impedia de estocar na mochila o “Manual do Escoteiro Mirim”, biscoito Mirabel e um treco que meu pai usava para passar no rosto quando se cortava fazendo a barba.

-o-seriado-e-uma.html

Hoje em dia, quando viajo de avião, levo na bolsa uma lanterna, um bagulhinho de fazer fogo por atrito, uma bússola, um mini canivete que passa no Raio X e um ursinho de pelúcia velho e encardido, que considero meu talismã desde a infância e que faria o papel de “bola Wilson”, caso eu ficasse em alguma ilha deserta. Mentira! O urso não é meu talismã, é meu objeto transicional (segundo um amigo psicólogo) que deveria ter ficado na minha infância, caso ela tivesse sido como deveria, mas que acabou viajando pelo túnel do tempo e até hoje me dá uma espécie de segurança psicológica. 

canela

Semana passada eu estava em um voo diurno, voltando de uma reunião no México, e ouvimos um estrondo no avião. O mesmo barulho que faz uma lâmpada de poste quando estoura. O pessoal do fundão também teve o “privilégio” de ver uma bola de fogo na lataria da aeronave. Eu acho que nem Einstein conseguiria pensar em alguma fórmula para tentar entender a quantidade de pensamentos que se passaram pela minha cabeça em tão pouco espaço de tempo, pelo menos até descobrir what a hell foi aquilo. O primeiro deles foi lamentar que o urso encardido estivesse na mala no bagageiro e não comigo. Depois, os pensamentos racionas e emocionais começaram a se atracar, então pensei que não deveria ter dado a bússola de presente para o meu diretor no México (simbolizando o Norte de um projeto que estamos tocando), pensei no que tinha de comida em estoque na minha bolsa, no meu seguro de vida para pagar o crediário do banco que eu deixaria, em como faria SOS para o resgate ver, em como não conseguiria ligar para o meu marido porque o celular não pega etc etc. Cheguei à conclusão de que não existe momento mais verdadeiro do que a morte passando por perto e dando um selinho, e que cada um tem suas reações. Na hora, também lembrei da minha amiga Ana Tereza saindo do bunker – depois que o tornado levou sua casa embora – procurando o sutiã por entre os escombros do que se agarrou para não ir embora :/ 

Depois de 10 minutos de avalanche “pensamentiva”, de ver as aeromoças correndo e de muita gente olhando para fora das janelas, descobriu-se que um raio havia atingido o avião (tipo esse aí nessa foto), mas que nada acontecera porque não pegou nem no motor nem na turbina.

20ewxdd1fn5qddg59wi0vhjyt

E agora eu posso dizer que aquela sensação de nascer de novo, de ter tido mais uma chance nessa living la vida loca, de gratidão, não é lenda urbana, é real e espero que dure mais que a bola de fogo que se desmanchou – com sua insustentável leveza do ser – no ar.

Até mais!

******************************************************

QUINTO LIVRO DA GISELA RAO

Na Livraria Cultura: http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br

22871297

O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias

]]>
0
A vida é curta demais para arrependimentos http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/06/26/a-vida-e-curta-demais-para-arrependimentos/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/06/26/a-vida-e-curta-demais-para-arrependimentos/#respond Mon, 27 Jun 2016 00:08:15 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12706 Semana passada, eu respondi à convocação da Cruz Vermelha para ir ao Centro distribuir cobertores e alimentos às pessoas em situação de rua. Eu quase amarelei porque eu fico hospedada em São Paulo num bairro longe pra diabos do Centro. Mas eu fui porque sabia que me arrependeria se não fosse, como me arrependi de um abraço que não dei no Marrocos, na viagem humanitária com o Patch Adams. Nós estávamos em frente a um hospital, em Casablanca, onde levaríamos alegria para as crianças. Mas, antes de entrar, vimos uma moça de uns 30 anos chorando muito por causa da morte da mãe. Eu queria muito, mas muito mesmo ir lá abraçá-la e chorar junto com ela porque conheço bem essa dor. Mas, eu me segurei porque um dia ouvi que os palhaços não podem chorar junto com as pessoas. Depois me disseram que não é bem assim. Quase sempre me lembro desse abraço que não dei e prometi que  não vou mais dar essas amareladas porque a vida é curta demais pra arrependimentos.

13495003_1083510671698091_8297808238091669887_n 13494964_1083510708364754_1961317449648198529_n

Sexta-feira, colocando a mão na massa – no Centro – junto com a Cruz Vermelha, descobri uma coisa muito importante: todo o medo desaparece quando nos tornamos um com as pessoas que nos apavoram. Em certo momento, à noite, fui cercada por uns 15 meninos moradores de rua – desses que a gente nem chega perto com medo de assalto. Eles apenas queriam os alimentos que estávamos distribuindo. Naquele momento, éramos um só, os mesmos, iguais em tudo, e foi uma das experiências de maior amor e mais ricas da minha vida. Se eu tivesse ficado no conforto tolo de casa, assistindo “Velho Chico”, ou sei lá o que, não teria recebido a benção da velhinha que ganhou dois cobertores, nem teria acompanhado a menininha – junto com a Camila Cardoso – até o bar pra pegar água quente para a sopa da sua mãe, nem teria conhecido a generosidade do português do boteco, e nem teria perdido meus preconceitos e meus medos pelo caminho, e muito menos teria sentido o carinho do nóia pegando alimento pra levar até a mina dele, e nem teria dado um perto na mão calejada do senhorzinho negro, nem teria conversado com o refugiado de Guiné, e nem teria sentido a tristeza de ver como as crianças da rua já se parecem com adultos no olhar e no sofrimento.

By Harry Borges

By Harry Borges

Foi uma noite doída, mas é uma dor que cura. Ela cura as marcas de dedos deixadas na cara da nossa alma pelos tapas do nosso individualismo.

Até breve!

“Repare que por todos os lados existem plaquinhas de apelo ao abraço grátis. Mas falta anúncio no poste de “trago o abraço perdido em 3 dias ou seu dinheiro de volta”. Escambo todos que já abracei por aquele que deveria ter enlaçado. Eu não sei onde foi parar o acolhimento que eu não pude dar. Talvez no fundo da gaveta dos apegos nunca dados. Onde guardamos a piada sem a graça, o sorriso não correspondido, e o silêncio de cada “eu te amo”. Será mesmo que gastei toda minha cota de abraçamento e não me dei conta? Só sei que meu saldo de abraço agora é negativo. Estou com doença de membros molengas por falta de fusão e aderência. Fico na espera do alinhamento do coração que bate junto com outro e toca a batida em resposta. Tão arrochado ao ponto de ficar com a coloração roxa por falta de ar. Sigo fazendo desuso das mãos vazias e desconcertantes. Situação que se a gente fosse pão se esmigalhava todinho. E dando um adeus sem graça e mais nada além do abraço que não dei”.

11406471_878766585525106_4422431400661384139_n

Texto: Ramone Loyola

———————

BLOG VAE INDICA

O livro “Achados e Perdidos – uma viagem na América”, do Rafael Vazquez. Uma super pausa no estresse da vida louca. Um romance que conta a história de João Ninguém, um jovem que viaja pelo mundo para viver experiências intensas! Sim, exatamante o que você e eu gostaríamos de fazer :  ) Não perca!

“A base são as coisas que eu mesmo tive a oportunidade de ver, descobrir e vivenciar durante os anos em que me joguei no mundo. Mas a obra possui a liberdade criativa necessária para que o livro não seja uma biografia, e sim uma oportunidade de o leitor se entreter e até mesmo se reconhecer nos diversos personagens. Depois das experiências que tive e conclusões que cheguei, considerei importante que o livro fosse muito maior do que eu. Os personagens têm vida própria”, explica Vazquez.

Capa Livro   vulcao

À venda, aqui:

Livraria Cultura: http://bit.ly/1NDFC3Y

Saraiva: http://bit.ly/1sMYpAB

Cia dos Livros: http://bit.ly/27QPAWd

———————

Chegue mais perto da  blogueira: giselarao@uol.com.br

]]>
0
“Temos que enterrar nossos mortos” http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/05/30/temos-que-enterrar-nossos-mortos/ http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/2016/05/30/temos-que-enterrar-nossos-mortos/#respond Tue, 31 May 2016 00:57:22 +0000 http://vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br/?p=12693 Que solidão tremenda é essa que chega chegando e nos joga na água gelada quando perdemos alguém que importa?

Quando minha mãe se foi, tive a sensação de estar à deriva em um barquinho sem vela e num mar sem farol e estrelas. Quando meu pai se foi, nesse fim de semana, tive a sensação de que nem o barco eu tinha dessa vez. É uma solidão nossa e de mais ninguém, e não adianta o amor dos amigos, do marido, dos animais, do urso de pelúcia encardido que eu agarrava quando via filme de terror na infância.

Minha grande dor não foi a perda, foi ver o sofrimento de um velhinho que nunca se cuidou e que a vida veio cobrar tudo de uma vez no final. Foi ver a o desamparo da minha irmã mais velha, a cabeça baixa do meu sobrinho no enterro, o choro sincero da minha prima, a voz aveludada da minha irmã H. quando tentava tranquilizá-lo nos momentos finais, a dor do outro neto – tão impotente – do outro lado, no Canadá.

185250_198130640243464_1746490_n

Nesses dias finais me reaproximei mais fisicamente dele, um oásis no deserto de uma relação cheia de tempestades de areia. Ousei ficar segurando a mão que nunca tive na infância, nem nunca em tempo algum, nem muito menos no meu casamento com B.L. – que ele disse que não iria porque sabia que não ia durar. Tive um segundo de medo pensando que ele pudesse rejeitar esse contato. Insegurança da criança que acha que veio ao mundo para incomodar.

Agarrada à mão dele quase no fim, me despedi com  lágrimas mudas. Como a vida não deixa barato, estava tocando no celular da minha irmã a música “Cold Water” – de Damien Rice. Coincidentemente foi a música que sempre ouvi após as perdas do que chamamos de grandes amores.

“Fria, fria água que me rodeia agora

E tudo o que tenho é sua mão

Senhor, você pode me ouvir agora?

Senhor, você pode me ouvir agora?

Senhor, você pode me ouvir agora?

Ou eu estou perdido?”

Nesse momento – e mesmo ele sendo ateu – rezei para Deus pegar na sua mão e acompanhá-lo, junto com minha mãe Clarice. E depois fugi, como sempre fujo. Como fugi do último suspiro da avó, como fugi do último suspiro da mãe. Mas esses últimos suspiros sempre me alcançam e arrancam um choro quente como a lava de um vulcão, que desmancha de uma só vez o nó de fogo entalado na minha garganta.

Cheguei cedo no velório com meu marido, chegamos antes de todos. Não convidamos ninguém de fora porque esse cansaço era nosso e de mais ninguém. Meu tio chegou às 4 am, contando coisas da personalidade forte dele, dos carros chiques que amava. É legal quando alguém fala da pessoa no passado, contando coisas de um pai que nem sei se conheci direito.

Chamei o Uber às 5 am. Medo de olhar em um rosto tão familiar ao meu quando me vejo no espelho. Minha irmã mais velha perguntou se eu iria no enterro – “não sei” – respondi. Ela disse: “Temos que enterrar nosso mortos”. Fui embora sem virar pra trás, sem o ver pela última vez, cambaleando de sono e de pedaços de emoções que não davam nem uma colcha de retalhos. No dia seguinte fui ao enterro. O corpo descendo ao lado da minha mãezinha. Nada foi dito. Senti falta de um padre, um rabino, um xamã que cortasse com a pá das palavras aquele silêncio tão doído. Mas minha ex-cunhada gritou agradecendo os queijos suiços que ele comprava, os bons momentos na casa de Campos do Jordão, as coisas engraçadas que ele falava…

E foi assim que ao pó ele voltou e que senti inveja do luto judaico, onde a família fica toda junta. Vi meu irmão, irmãs e sobrinhos indo embora em dois carros. E eu fui ficando para trás e para trás e para trás, em uma manhã de sol, túmulos e tanta grama e dor esparramadas.

E é aqui que encerro minhas palavras, junto à frase roubada da cova de alguém que um dia se chamou Ernesta:

IMG_0467

Até semana que vem.

giselarao@uol.com.br

]]>
0