Minha Vida Sem Photoshop

Dia 103 - Quando perdemos a menininha dos doces que havia em nós?

Gisela Rao

30/06/2015 17h41

Enquanto o mundo espalha uma saraivada de ódios e repulsas aos refugiados e imigrantes que procuram desesperadamente uma chance de (sobre)viver, uma menininha espalha doces e alegria por alguns segundos no sul da Itália.

Foto via Catraca Livre

Foto Jan Pelissier

Enquanto isso, no Brasil, pessoas lindas disponibilizam seu tempo – di grátis – para um projeto virtual que está nascendo para matar o preconceito no nosso país. São eles Jessica Dulger (intérprete),  Ana Teixeira (intérprete), Surama Chaul (jornalista), (Bruna Duarte (fotógrafa), Renato Gonçalves (planner) e Wagner Tamanaha (social media).

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Eu não sei exatamente quando foi que grande parte de nós perdeu a menininha italiana que nasce com a gente. Quando foi que deixamos de amar o próximo, de ter compaixão, de sofrer junto, de distribuir doces? As histórias que ouvimos dos refugiados no sábado passado esfregou nosso coração num ralador de queijo. Pessoas ameaçadas de morte por defenderam a liberdade e que precisam fugir e deixar a família par atrás, pessoas que descem de um navio e descobrem – enfim – em que país chegaram – sem dinheiro, sem falar a língua, mas carregando um diploma universitário e o que sobrou da dignidade -, famílias que tentam proteger seus filhos fugindo de sua cidade alvo de uma saraivada de bombas, gente que perdeu a casa e a família no terremoto do Haiti…

Não, nunca saberemos o que é isso. A não ser que se olhe bem dentro dos olhos de cada uma dessas gentes-como-a-gente e encontre lá a nossa própria e única alma universal.

Para o alto e avante!

“Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros” – Paul Tillich

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Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: “Cada vez menos vejo a carta do “Louco” no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: “O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram…Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio”. Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro “Diários Marroquinos” (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células – tão lindas – psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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