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Dia 110 - Joga pedra na Geni

Gisela Rao

17/08/2015 13h46

O blog VAE nunca tomou partido em eleição nenhuma e há 5 anos pretende falar de autoestima. E quer continuar assim. Mas hoje eu vou fazer uma crítica que, certamente, tem a ver mais com autoestima do que com política.

Não votei em ninguém no segundo turno da eleição para presidente porque não me identifico com nenhum dos dois candidatos apresentados, porém, tenho algo a dizer. Acho que as pessoas estão confundindo tudo. Uma coisa é ser contra o governo atual, outra coisa é projetar raiva mal resolvida e um lado perverso e desrespeitoso que fica muito claro sob pressão.

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A senhora que postou esse cartaz provavelmente é mãe e vó. E também provavelmente foi testemunha dos HORRORES (assim, gritado mesmo!) da época da ditadura. Tenho amigos que viram suas companheiras serem torturadas, estupradas e mortas na frente deles. Tenho outros amigos que não escutam de um ouvido ou não enxergam de um olho, resultado de torturas sem fim. Ou seja: o filho desta senhora poderia ter sido um deles.

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Escrever uma coisa dessas reflete que o Brasil também é formado por uma parte de pessoas com uma tremenda baixa autoestima que não respeitam mulheres, não respeitam pessoas de idade, não respeitam os outros brasileiros e, mais do que isso, não respeitam a si mesmas. E pior, muito pior, projetam todos os seus fracassos e frustrações em um único ser humano. Uma coisa é estar insatisfeito com o governo atual – e todo mundo tem esse direito -, a outra é escrever esse tipo de cartaz vergonhoso. E depois ainda celebrar o nascimento de Cristo no Natal como “boa pessoa religiosa”.

Como diz o jornalista Mário Magalhães: “Cartazes como os de ontem não são novidade nas demonstrações anti-Dilma que se sucedem desde o ano passado. Desta vez, novamente, ninguém confrontou os mensageiros da barbárie. Quem cala consente, proclama o provérbio. A gestação do fascismo, do nazismo e do stalinismo foi facilitada pelo silêncio cúmplice. Em nome do combate ao adversário político, aceitam perfilar com quem, no conteúdo de alguns cartazes, não difere muito dos cretinos que, no século XX, identificavam-se com a SS.”

Esse tipo de cartaz me lembra a  música – “Joga pedra na Geni” – do Chico Buarque, representando “Geni” como o governo e “Zeppelim” como o golpe militar. 

O blog VAE abomina qualquer tipo de alusão à ditadura, morte ou violência. E para quem acha que o que vale é a liberdade de expressão, lembre-se: tudo tem consequência! Depois não reclame.

Para o alto e avante!

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Rosinha – o livro do VAE

Na Livraria Cultura: http://zip.net/bxqCL2 ou http://www.matrixeditora.com.br

 

O divertido diário da escritora que vigiou sua autoestima por 365 dias

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COLUNAS DA GISELA RAO  NO ATMOSFERA FEMININA

> Crise. O melhor que pode te acontecer – http://zip.net/byrJ4c

 > Vai com medo mesmo! http://zip.net/bhqhtW

> Se não hoje, quando? – http://migre.me/eVKJy

giselarao@uol.com.br

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Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: “Cada vez menos vejo a carta do “Louco” no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: “O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram…Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio”. Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro “Diários Marroquinos” (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células – tão lindas – psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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