Minha Vida Sem Photoshop

Manifesto: você não é "apenas isso" em nada!

Gisela Rao

18/09/2016 21h23

Eu tinha quebrado um pau daqueles com B.L. na noite anterior. Peguei o celular e mandei um e-mail pedindo perdão para Pedrinho Fonseca, dizendo que não poderia ir à praça, de manhã, receber o livro “Do Seu Pai”, com textos que ele escreveu pros seus filhos lerem um dia. Tasquei a culpa no ciático, que realmente estava dando o ar da graça, mas o motivo era mesmo putencência por mais uma vez brigar com B.L. por coisas que ele sabe bem que me irritam.

Pedrinho, um nômade digital (e na minha opinião um dos maiores escritores do momento), estaria em São Paulo, na Praça das Corujas, entregando seu livro pra quem ajudou no seu financiamento coletivo. Fiquei feliz porque os 20 c0ntos que doei nem davam pro gasto, mesmo assim, ele – generoso da gema – quis me presentear.

By Pedro Fonseca

By Pedro Fonseca

Fui dormir na madrugada, eu e meu ciático abalado, mas de manhã bem cedo vi B.L. se vestindo e deu aquele aperto no coração. Tenho horror de acordar sem a pessoa amada por perto, provavelmente resquícios da infância e da partida do pai. B.L. não queria papo. É sempre assim nas vezes em que a gente briga feio: ele me irrita e eu meto picada de escorpiana, neta de calabrês. Acabamos fazendo as pazes e fomos encontrar Pedrinho. Foi fácil achar, era uma mesa improvisada no meio das crianças e da cachorrada da praça. Ele não acreditou quando me viu e me anunciou, para quem estava em volta, como uma escritora de verdade. “Olha quem fala” – pensei.

Naquele dia e em uns poucos antes deste, eu não estava nada bem. Às vezes, ter vivido uma vida de cigarra e “torrado” todo o dinheiro em viagens me deixa com medo e –  você sabe, né? – dor no ciático (na nuvem metafísica) significa “preocupação”. Aos 51 anos, a ficha caiu com o poste telefônico inteiro, ainda mais quando um dos meus clientes deu pra trás. Minha autoestima estava em cheque naquele dia e, Pedro, sem querer me fez chorar por debaixo dos óculos escuros. Um choro bom , de resgate, de um braço amigo que te puxa  de um lugar em que você não reconhece muito, mas  consegue sentir a presença do Minotauro. Ele fez isso depois de me elogiar um monte e de ouvir de mim: “Pedrinho, eu sou uma humorista, apenas isso”. Fez isso, quando disse: “Gisela Rao, você não á ‘apenas isso’ em nada…”. E eu lembrei mesmo que não era”‘apenas isso” em nada, como todas as gentes que conheço não são “apenas isso” em nada; como todos os africanos em uma balsa à deriva não são “apenas isso” em nada; como todos os refugiados que conheci não são “apenas isso” em nada; e todos os pobres; e todos os animais abandonados; e todos os homens cobrados demais; e todos os velhos; e todas as mulheres que sofrem preconceito, abuso… não são “apenas isso” em nada; e todas as crianças que são chamadas de burras, ou de diferentes… não são “apenas isso em nada”; e todos os gays, lésbicas e trans… não “apenas isso” em nada.

Sim, Caetano, “gente é pra ser feliz”; e sim, Pedrinho,  gente é pra não ser “apenas isso” em nada!

By Pedrinho Fonseca

By Pedrinho Fonseca

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FALTAM 6 DIAS! Para o picnic do VIGILANTES DA AUTOESTIMA, com Gisela Rao (blogueira do UOL) e Neiva Bohnenberger (psicóloga). Vamos rever o que faz sentido na nossa vida, voltar a nos motivar – com direito a sessão desabafo.

Dia 24/9 – das 15 às 18h (São Paulo) – Investimento: R$ 49,00 : ) – São Paulo
INFOS: giselarao@gmail.com

Gisela e Neiva

Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: “Cada vez menos vejo a carta do “Louco” no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: “O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram…Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio”. Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro “Diários Marroquinos” (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células – tão lindas – psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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