Minha Vida Sem Photoshop

Fui bloqueada no Face por excesso de compaixão

Gisela Rao

13/02/2017 13h55

Já perdi mãe, pai, duas avós e duas gatas que eram da família, então sei reconhecer nos olhos do outro a tristeza, a dor e a sensação de desamparo destroçante de quem fica. Não sou petista (já fui!) e voto em branco há algumas eleições, mas não pude deixar de me comover com o olhar tão triste do Lula no velório de Dona Marisa. Postei sobre isso e vários “amigos”, um até das antigas, me bloquearam no face por não aceitar que eu sinta pena do ex-presidente. Tentei explicar que minha compaixão era pela dor, independente de quem fosse e de que partido fosse. Não adiantou. Segundo fontes, o amigo das antigas ainda publicou o seguinte troféu: “Limei mais uma com pena do Lula!”

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Não sei dizer se a gente nasce com compaixão ou se herda. Só sei que venho de uma família onde a solidariedade é diária e tão comum quanto colocar manteiga na torrada, no café da manhã. Minha mãe morreu ajudando os outros e, talvez por isso, a fila de visitação no hospital, quando ela ficava doente, dobrasse quarteirões.

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Exatamente em que momento a compaixão virou um sentimento lixo? Temos algumas pistas no texto do publicitário Jarbas Agnelli:

“A verdade sobre as redes sociais é:

seres humanos não foram feitos para se comunicar tanto.

Nunca na história tivemos esse nível insano de interação: uns entrando nos cérebros dos outros, em tempo real.

É claro que ia dar merda. Somos imperfeitos, egotistas, invejosos, ciumentos, mal resolvidos, cheios de buracos existenciais, traumas e recalques.

Até alguns anos atrás, quem sabia escrever se comunicava por carta. Além da cerimônia, havia o tempo. Uma resposta demorava dias, senão semanas. Havia tempo para pensar. Pensar enquanto lia. Pensar na resposta. Pensar antes de escrever.

Era quase como a comunicação ao vivo.

Ao vivo as pessoas sempre foram comedidas com estranhos, como são até hoje. Você não expõe seus medos, suas revoltas, em contatos triviais, a não ser em casos extremos.

Até que apareceu a internet.

A rede social introduziu o atalho direto ao Id. A comunicação despida de ritual ou educação. Impulsiva, quase subconsciente, com um mínimo de reflexão.

Garotos tímidos de 16 anos se tornaram haters de 3 metros de altura online. Senhoras recatadas viraram troladoras impiedosas. Pessoas que mal sabem raciocinar, quando muito expor suas ideias de forma ordenada, subitamente tinham opinião sobre tudo, e espaço onde vomitá-las. O mundo virtual virou um ringue de vale-tudo”.

Na minha opinião, a rede apenas revela as sombras que sempre escondemos. Portanto, a rede é quem somos. O mestre do meu ex-professor de Kenjutsu só confiava em quem bebesse junto com ele, porque era nesse momento que as máscaras caíam.

Na boa, sigo pela vida compassiva e solidária, deixando pelo chão migalhas de pão e ex-amigos que preferem tomar seus porres diários de ódio, eternamente culpando os outros pelo seu tupperware de infelicidades.

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” – Che Guevara

Até a semana que vem!

giselarao@gmail.com
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Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: “Cada vez menos vejo a carta do “Louco” no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: “O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram…Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio”. Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro “Diários Marroquinos” (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células – tão lindas – psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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