Minha Vida Sem Photoshop

Fico espiando quem tem a minha idade pra saber como sou

Gisela Rao

07/08/2017 14h03

Cinquenta anos é uma espécie de Ilha de Lost entre a juventude e o início da “idosice” oficializada pela lei.

Como já disse aqui antes, não me reconheço nessa idade cronológica, o que não significa que fico me embolando com o tempo, dando uma saraivada de tapas e beliscões. Ou seja: se vivi 52 anos até agora, assim seja, uai. Mas isso não impede que eu me surpreenda quando alguém, aliás todo mundo, me chame de senhora porque, para a alma sem idade e a criança interior, não cai a ficha. Sendo assim, fico espiando as pessoas da minha idade cronológica para saber como sou, ou como os outros me veem.

Vejo as fotos e pergunto para o meu marido: “E, aí, sou assim?”. Confesso que, às vezes, ele ganha umas beliscadas porque não concordo hehe. Também adoro perguntar a idade dos motoristas do Uber e, quando o cara ou a mulher tem mais de 50 anos, eu penso “É, já sou Tia Sukita mesmo”.

O bode de envelhecer, no meu caso, não é nem o medo de ficar estropiada, morrer ou de ficar sozinha (já que não tenho filhos. Mesmo porque véia engraçada todo mundo curte), e sim de não dar tempo de fazer os inúmeros projetos pessoais que ainda pretendo arremessar no mundo. Mas isso é uma bobagem porque é só olhar para o lado e ver como seus amigos com mais (ou bem mais) de 60 são super mega produtivos (Lalá e Teté que o digam). Existe o dia, e depois o outro dia e depois mais outro e outro, até que acabem na folhinha do borracheiro da vida. Mas são tantas horas e tantas coisas que se pode fazer, desfazer e refazer nelas que, uau!

Sim, diga, Mario Quintana:“Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fases douradas em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa”.

Até a semana que vem :  )

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Sobre a autora

Gisela Rao é publicitária, escritora e está jornalista. Acredita piamente que a "imperfeição" liberta. A palavra está entre aspas porque, como dizia Buda, o que é certo e o que é errado no universo da ilusão? Leia mais

Sobre o blog

Espaço para - como dizia Nelson Rodrigues: mostrar a vida como ela é, sem pintar pombo de verde e chamar de meu louro.

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Por que trocar a lâmpada ficou mais interessante que nós?

Nos últimos meses, que coincidem com o tempo que não tenho viajado, tenho a estranha sensação de não ter assunto-próprio. Não estou falando do monte de filmes que assisto no Netflix, ou dos assuntos que saem na home do UOL ou do Tiscali.it. Estou falando de assunto próprio, coisas incríveis que vejo ou sinto e que ficam se acotovelando para escorregar no tobogã da garganta para fora. O triste é que percebo que não é só comigo: às vezes vou em almoços ou jantares coletivos onde ninguém tem também assunto-próprio, digo, algo mais interessante do que trocar uma lâmpada quebrada. Assistindo a uma palestra do incrível tarólogo Arhan (sim, nesse dia fui atrás de assunto-próprio!), ele disse uma coisa muito assustadora: “Cada vez menos vejo a carta do “Louco” no jogo de tarô das pessoas. É assustador porque o Louco é a carta ligada a seguir a intuição. Nas palavras do Arhan: “O Louco é o arcano sem número do tarô, está presente em todos os caminhos da nossa jornada pessoal. Ele representa o campo de todas as possibilidades em nossa vida é o momento do salto quântico existencial. Aquele que é capaz de gerar a si próprio. Esta carta não dá valor aos valores dos homens. "O Essencial será sempre invisível aos olhos". O que nos dará a certeza de uma direção segura, nosso norte, será o canal intuitivo, representado na carta por um cachorrinho que tenta avisar o louco do abismo a sua frente. Mas perante aos outros, qualquer atitude ou escolha, neste momento da sua vida, será considerada Louca! Por isso, não dê ouvidos! A caravana passa e os cães ladram…Misture a sua "maluquez" com a sua lucidez, seja livre e siga em frente! Ação a ser tomada: Rever valor para gerar a si próprio”. Então tem um monte de coisas erradas aí, estamos com preguiça, estamos acomodados, estamos sem coragem pra alçar novos voos, pra fazer coisas novas, estamos vendo tv e internet demais. Não acho que as respostas estejam em viajar mais, embora ler o livro “Diários Marroquinos” (Kívia Mendonça) dê um tremendo frio na barriga (ela ficou um tempão no Marrocos viajando sozinhaaaaa de carona). Eu acho que a resposta está em viver mais, reloadar na gente aquela criança curiosa que eramos na infância. Onde está você, Giselinha, que furava o dedo sem medo para ver as células – tão lindas – psicodelicando na plaquinha de vidro no microscópio? "Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio" - William Blake +++++++++++++++++++++++++++++++ giselarao@gmail.com

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